“Quem matou Eloá?”. Este é o nome do documentário da diretora Lívia Perez sobre o caso de Eloá Pimentel, uma menina de 15 anos que, em 2008, foi mantida em cárcere privado pelo ex namorado, Lindemberg Fernandes, 22 anos, e acabou assassinada. O curta-metragem aborda, principalmente, o modo como a mídia tratou o crime e a influência que as reportagens tiveram no caso e em outros episódios de feminicídio.
O vídeo serviu de ponto de partida para um debate do Projeto Curta Direitos Humanos que se baseia na integração de diversas áreas do conhecimento no contexto dos direitos humanos. A ação já abordou outros temas, como trabalho e educação. O projeto, idealizado pelas professoras Gabriela Andrade, Márcia Guedes e Gilvaci Rodrigues, foi apresentado na manhã desta quinta-feira (1/6), no terceiro dia da Semana da Comunicação no campus do UniCEUB, em Taguatinga.
A professora Gabriela Andrade explicou que a ideia do nome do curta é fazer uma reflexão da forma como a mídia tem abordado o tema da violência contra a mulher e procurar saber quais outros meios e instituições “são responsáveis pela morte de Eloá.” Ela ressalta a influência que a divulgação em massa do caso teve nas negociações com Lindemberg e que levou ao desfecho trágico.
A estudante do curso de fisioterapia, Bianca Fernandes, 20 anos, destacou que a presença de homens no documentário foi importante. Ela se posicionou também quanto ao tratamento dado pela mídia ao assassino. “O que mais me chamou a atenção foram as afirmações ‘mas ele era um rapaz bom, trabalhador, não tinha antecedentes criminais, o que ela fez pra ele ter feito isso?.’ A mídia romantizou o caso e tratou como crime passional sendo que eles não estavam mais juntos”, reforçou.
Feminicídio
A Lei Federal nº 13.104, sancionada em 9 de março de 2015, prevê como crime de homicídio qualificado agressões físicas ou verbais contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, tendo o nome de feminicídio. O agressor condenado por essa lei pode receber pena mínima de 12 anos e máxima de 30 anos. Juntamente com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340), a ideia base de ambas as normas é por fim a violência contra mulher.
Por: Maria Carolina de Morais e Lizandra Costa
Sob supervisão da professora Isa Stacciarini