A sete meses das eleições, jovens de 16 e 17 anos se preparam para ir às urnas pela primeira vez. No Brasil, nessa faixa etária, o voto é facultativo. Até o final de fevereiro estavam aptos para votar aproximadamente 1,381 milhão de eleitores entre 16 e 17 anos. Esse número deve crescer, visto que a o prazo de emissão de título eleitoral este ano vai até dia 9 de maio. Para cientistas políticos, o cenário é preocupante porque já é possível aferir que existe descrença e desinteresse por parte dos adolescentes em relação ao pleito de outubro.
Eleitores entre 16 e 20 anos representam 7% do total de eleitores no Brasil, por exemplo. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são relativos a janeiro e fevereiro deste ano. Nas últimas eleições, em 2014, a porcentagem de jovens entre 16 e 20 anos nas urnas foi de 6,32%. Dentre os motivos que levaram a redução do número de jovens eleitores, está a sensação da falta de representatividade na política. E essa posição não é exclusiva das pessoas mais jovens. “A população em geral do Brasil não se vê representada no meio político”, afirmou o cientista político Bruno Cezar Soares.
Segundo ele, em geral, a população do Brasil possui uma certa desconfiança da política tradicional por causa das falhas nesse cenário, como corrupção e negociatas. “Isso gera o afastamento da população, tanto em votar, quanto a se candidatar”, opinou Bruno. Ele também destaca a dificuldade dos jovens em ingressar na política. “Muitos partidos têm sistemas diferenciados, condições e experiência muitas vezes acima do que eles geralmente possuem”, ressaltou.
Na visão dele, a falta de representatividade de candidatos jovens na disputa das eleições faz com que alguns estudantes não optem por exercer o voto facultativo. “O jovem ainda não se sente representado, junto com outras minorias da sociedade, e sabe que isso precisa ser corrigido, mesmo que seja preciso recriar uma nova estrutura”, ressaltou.
Para o especialista e cientista político Marcelo Morais, em alguns discursos eleitorais até aparecem propostas voltadas para o público jovem, porém, no decorrer do mandato dos que vencem, não é possível ver mudanças. “Nas eleições anteriores muito se escutou e pouco se fez”, explicou. O especialista salientou que, dessa forma, os jovens se afastam das urnas. “Perdemos, assim, gerações de brasileiros que poderiam estar prestando um bom serviço para o país”, considerou. Segundo Marcelo Morais, o fator custo é um dos maiores empecilhos para que o jovem consiga ingressar na política e gerar representatividade. “Quanto mais o cidadão estiver envolvido no mundo político, maiores são as chances do Brasil ser um país melhor no futuro”, completou.
Descrença
O universitário João Guilherme Santos, 17 anos, emitiu o título eleitoral este ano. “Os jovens desejam expressar o descontentamento com a situação econômica e política recente”, salientou. Por outro lado, Maria Luisa Cerbino, 18 anos, ainda não possui o título de eleitor. Apesar disso, ela considera que os jovens podem cobrar o sistema político a partir da experiência que vivencia. “Tem espaços que só o jovem frequenta, como a escola, então, no quesito educação, quem mais pode opinar e cobrar uma ação efetiva é a juventude”, destacou.
A estudante se preocupa com a possibilidade de o governo afastar a juventude do meio político, dos debates e discussões. “Um Estado que afasta a juventude da política é retrógrado e teme algo subversivo”, ressaltou. Além disso, a estudante reforçou a ideia de que, com o jovem nas urnas, cresce o entendimento dele enquanto cidadão. “Estamos em uma idade de formação de consciência, em que deve-se cobrar para ver o retorno”, considerou.
Falta de representatividade
Para João Pedro Eliseu, 17 anos, é necessário que os candidatos voltem os olhos aos interesses dos jovens. Na visão dele, a classe dos estudantes é determinante na manutenção de processos democráticos. “Representamos uma grande parcela da população que busca formação acadêmica e um país melhor e mais justo”, afirmou em relação à importância da voz no meio político do Brasil.
Com 16 anos, o estudante Diogo Basílio não deixou para depois o direito de também escolher os representantes do país. Ele emitiu o título de eleitor este ano e deseja que grandes mudanças ocorram. “Um agente modificador para que isso aconteça é o voto de cada um”, ressaltou. Para ele, os jovens devem estar sempre conscientes sobre política. “Ao elegermos um candidato a qualquer cargo no governo, estamos depositando nossas esperanças e acreditando que haja uma melhora no meio onde vivemos.”
Por: Ana Paula Teixeira
Nathalia Carvalho
Lucas Mayon (colaboração)
Sob supervisão de Isa Stacciarini e Luiz Claudio Ferreira