Dia do trabalho: barulhos causam danos em trabalhadores; fono explica como se proteger

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Canteiro de obras, sirene de ambulância, veículos barulhentos ou secador de cabelo emitem barulhos incômodos ao mais curto espaço de tempo do cotidiano,mas já imaginou uma jornada inteira imersa em ruídos? Essa é a realidade de profissionais no Brasil que, além de conviverem com equipamentos barulhentos, ainda assim, arcam com as consequências dos danos à audição.

Essa realidade é mais comum do que se imagina. De acordo com o fonoaudiólogo Kleverson  Santana, os possíveis danos ocasionados por uma jornada de trabalho em meio a ruídos acima de 85 decibéis ocasiona diferentes graus de classificação de perda auditiva. Leve, moderada ou severa, se faz necessário o uso de aparelhos de amplificação sonora em diversas profissões.

No trânsito

Dois motoristas e uma cobradora, que concordaram em conversar sob a condição de anonimato, relataram que, ao final do expediente, sentem zumbidos no ouvido e dificuldades ao dormir. Além desses zumbidos, Jorge* afirma sentir dores ao chegar em casa. Além desses transtornos, todos citaram prejuízos no convívio familiar mediante ao estresse causado pelos ruídos.

Segundo Célio, motorista de ônibus, o estresse também o prejudica na boa relação com os passageiros. “Muitas vezes, não somos capazes de responder a um simples ‘bom dia’ de um passageiro devido ao nível de estresse acumulado ao longo da jornada”, se queixa o motorista.

O fonoaudiólogo Kleverson Santana, que realiza periodicamente exames de audiometria em trabalhadores, destaca que muitos relatam diariamente casos de estresse e ansiedade que sentem no dia dia. “O estresse no trabalho é o principal causador de ansiedade em meus pacientes”, afirma o fonoaudiólogo.

No salão

Ainda desconhecido e despercebido por muitos, cabeleireiros se queixam de problemas auditivos devido ao uso intenso de secadores de cabelo em suas jornadas de trabalho. Orly Ferreira, já com 31 anos atuando nessa profissão, apesar de dizer já ser habituada aos ruídos, relatou ter precisado de acompanhamento médico devido às falhas irreversíveis na audição ocasionadas pelo barulho do secador. A cabeleireira ainda se queixa da falta de orientação por parte do sindicato, tendo que, mediante à perda auditiva, pesquisar e custear por conta própria equipamentos que minimizem os impactos sonoros.

Aplicação das normas em favor do trabalhador

Seguindo as orientações adequadas à saúde do trabalho, algumas profissões contam com rigoroso suporte à segurança e à saúde dos trabalhadores. Edvan do Nascimento Alves, operador de minicarregadeira em construções civis, apesar de reconhecer o alto impacto sonoro a que está submetido, revela não ter manifestado nenhum problema de saúde relacionado à audição devido ao uso adequado de protetores auriculares.

A técnica em segurança em construções civis Simara Rodrigues alega existir rigoroso controle na segurança do trabalho. Além da empresa ter que seguir as normas de proteção, deve exigir vários exames médicos aos funcionários, entre eles, a audiometria obrigatória.

Segundo a técnica, há um rígido controle sobre os ruído emitidos. Simara indica que é fundamental que as pessoas trabalhem com protetor auricular adequado. Além disso, há um treinamento prévio para que os trabalhadores ganhem intimidade com a função e com os riscos os quais estão expostos. “Dentro desse treinamento, uma pergunta que costumo fazer é qual o volume da televisão em suas casas, porque através desse dado eu posso saber a capacidade auditiva do funcionário”, conclui a técnica em segurança.

Segundo o fonoaudiólogo Kleverson Rodrigo, é de grande importância que as leis de segurança no trabalho sejam estritamente seguidas a fim de evitar maiores danos auditivos ao longo da vida. Os trabalhadores precisam dispor de EPI’S, que são materiais de proteção auditiva contra ruídos. “Infelizmente, muitos pacientes trabalhadores da construção civil não fazem o uso dos EPI’S”. De acordo o fonoaudiólogo, relatam que se esquecem de usar no momento do trabalho ou que a construtora não oferece o devido suporte de proteção.

Seguindo os mesmos padrões e normas técnicas, condutores de ambulância também não se queixam de problemas auditivos mediante a profissão. Além disso, segundo Lorivaldo Jesus de Souza, 35 anos, a empresa responsável oferece, obrigatoriamente, acompanhamento fonoaudiólogo e outros exames médicos periódicos.

Mesmo em virtude de possíveis complicações auditivas em profissões altamente ruidosas, ainda há a falta de orientação e conhecimento por parte dos trabalhadores dos possíveis danos à saúde ocasionados pelo barulho.

Segundo o fonoaudiólogo, nesses casos, o profissional em fonoaudiologia encaminha o profissional para o otorrino que fará uma avaliação conjunta a fim de precaver outros prejuízos à audição.

Aline Lopes e Maiza Santa Rita

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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