Um artista que trabalha com materiais que ninguém mais se importa. Essa é a paixão de Marcelino Cruz, a arte reciclada. Ele que tem como inspiração o movimento modernista e o dadaísmo, diz que não poder comprar materiais não justifica o não fazer arte.
Esse é um dos conceitos que ele trabalha na escola de rede pública, onde é professor de arte. Sustentabilidade não é um conceito novo para ele. “Me aproprio não só dos materiais, mas das questões críticas social de Brasília”.
Seus trabalhos têm influência de artistas como Portinari e Matisse e também das cores, do folclore, das experiências de sua vida e de Brasília, uma cidade riquíssima culturalmente.
Segundo ele, tudo é motivo de criação. ”Depois que saí da universidade tenho liberdade de criar o que eu quiser, e não ficar preso às coisas da academia.”
Além de se aproveitar do lixo, questões sociais são levantadas em suas obras. Uma de suas obras que mais marcaram sua carreira foi um painel feito em doze horas para uma exposição contra as olimpíadas em 2008. “Marcou porque eu estudei bastante e o desafio de fazer em um dia só, a obrigação como uma prova, é um desafio para o artista.”
Marcelino que já fez mais de cinquenta exposições, tem seu ateliê no Park Way e afirma que podemos fazer arte a partir de uma ideia.
Por Juliana Braz