Primeira jogadora surda de vôlei explica como concilia vida de atleta aos desafios de ser mãe

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No dicionário, mãe significa aquela que gerou, deu à luz e criou um ou mais filhos, enquanto atleta é definido como praticante de qualquer tipo de esporte. Dois significados frios para explicarem o amor de todos os dias.

Nenhuma frase consegue descrever o sentimento que essas duas palavras carregam e apenas aquelas pessoas que vivem os dois são capazes de descrever.

Esse é o caso da jogadora Natália Martins, de 39 anos.

Ela é a primeira atleta surda a jogar vôlei profissionalmente no Brasil e, há um ano e dez meses, mãe.

Consciente dos desafios, a central se preparou financeiramente, fisicamente e mentalmente para a missão e o sentimento é de felicidade.

“ Ser mãe é algo extraordinário, um amor inexplicável. Você aprende e ensina todos os dias. Sou muito feliz em ser mãe”

Mesmo que com planejamento, a rotina da profissão causou algumas dificuldades.

Na equipe do Recife, seu esposo não conseguiu acompanhá-la e ficaram longe um do outro fisicamente.

Com a sua nova companheira indo nas viagens com ela, Natália entende que esse foi um grande desafio, mas não hesita em dizer que faria tudo de novo.

Foto: Reprodução/ Instagram @natimartinsoficial

Primeiros anos no esporte

Na quadra, Natália defendeu na última temporada a equipe do Recife Vôlei, mas a sua jornada começa antes.

Aos quatro anos de idade, ela perdeu 70% da audição.

Em Lorena, sua mãe a chamava e ela não escutava, elas então foram a um médico que encaminhou elas para São Paulo, por lá o diagnóstico foi dado.

Aos seis anos, ela já usava o aparelho auditivo, mas apenas no lado direito, já que conseguiu a doação de apenas um.

No esporte ela começou na ginástica, mas tempos depois, sua professora de educação física, Márcia, observou que Natália estava crescendo muito e a apresentou ao vôlei.

No início, ela ficava fora de quadra, já que a prática era apenas para adultos, ela ainda estava em idade infantil. 

 Vendo que Natália queria jogar, Márcia entregou a jovem atleta a professora Augusta, em uma cidade vizinha, para que sua carreira prosseguisse.

No início, Natália se questionava se conseguiria chegar ao nível daqueles que ela via na TV, mas isso mudou devido a uma pessoa que ela admirava muito. 

Determinação

Ainda pequena, ela era fã do Bernardinho ( ex-jogador e atual treinador da seleção brasileira de vôlei), e decidiu enviar uma mensagem através do site dele questionando se ela seria capaz de chegar onde ele chegou mesmo com a deficiência auditiva dela.

Tempos depois, a resposta veio e com ela três palavras que Natália levaria para vida: determinação, perseverança e força.

Com essas palavras para apoiá-la, Natália superou as suas dúvidas sobre si e se tornou a primeira atleta surda a jogar vôlei profissionalmente no Brasil.

Em sua carreira, ela acumula boas passagens na Superliga e até experiências no vôlei internacional.

Com apoio das companheiras de time com gestos e toques para se comunicarem e muitas vezes com  leitura labial como guia, ela tornou aquela vontade de jogar vôlei na sua profissão.

“ Minha carreira se resume em uma pessoa que nasceu, achou que não ia chegar em nenhum lugar e chegou além do que poderia imaginar”, diz Natália em vídeo feito em parceria com a empresa Sonova.

Por Natalia Francescutti  e Marcello Hendriks

Foto: Arquivo pessoal

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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