Nesta quinta-feira (10), chega aos cinemas brasileiros o longa “A garota da vez”. Já no dia 18, estará disponível na plataforma Netflix.
O filme é um terror psicológico do gênero true crime e relata os crimes do assassino em série Rodney Alcala, que aconteceram no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, nos anos 1970.
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O protagonismo fica com a Anna Kendrick, que interpreta Sheryl Bradshaw, e estreia como diretora do filme. Na trama, Sheryl é uma atriz iniciante em Hollywood, que decide participar de um programa de namoro na televisão na tentativa de alavancar sua carreira.
Quem participa do mesmo programa que ela é Rodney Alcala (Daniel Zovatto), que já havia sido denunciado por diversos estupros e assassinatos de mulheres e adolescentes.
Confuso e inacabado
Na sua primeira vez como diretora, Anna Kendrick traz um longa que confunde o espectador. Um exemplo da desorganização do roteiro em vista da falta de clareza da linha cronológica em que os fatos acontecem.
Além disso, o filme tem a duração de 1h29min e a forma como termina faz com que pareça inacabado, sem um desfecho coerente.

Foto: Divulgação/Cinemark
Assassino em segundo plano
Anna Kendrick, em sua direção, acabou dando um destaque muito maior à personagem que interpreta do que ao assassino em questão, que merecia maior atenção no longa. Foi construída uma expectativa de maior relevância de Sheryl para o contexto dos crimes.
As cenas de violência ficaram superficiais e repetitivas. Quem assiste sente falta de um aprofundamento maior, pois os fragmentos da narrativa não se conectam ao público, como era esperado pelos roteiristas.
A história e os atores tinham potencial para entregar um true crime de sucesso, mas o produto final pode não agradar quem espera uma história bem contada.
Sessão Secreta
“A garota da vez” foi a escolha da rede Cinemark para a “Sessão Secreta”, na última sexta-feira, 4 de outubro, às 20h.
A exibição especial do filme antes da estreia foi realizada simultaneamente em sete capitais: Recife (PE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). A premissa era que, até o filme começar, os expectadores não soubessem qual título seria exibido.

Foto: Divulgação/ Cinemark
Os ingressos para a sessão em Brasília, custaram R$ 28,50 a meia e R$57,00 a inteira, mas os valores variam de acordo com a localidade. Sem custo adicional, foram distribuídos: uma pipoca média e um refrigerante pequeno para cada um.
Na primeira edição do evento, foi exibida a comédia “Evidências do amor” e uma sessão no Rio de Janeiro contou com a participação surpresa do ator protagonista, Fábio Porchat.
A rede Cinemark ainda não anunciou quando ocorrerá a próxima Sessão Secreta.
Opinião: a escolha
Um filme com cenas de estupro e violência contra mulheres definitivamente não era a melhor escolha para a iniciativa do Cinemark.
Apesar de se tratar de uma exibição surpresa do filme, a rede deveria ao menos indicar a censura para a orientação do público na compra.
Esse tipo de temática exige uma cautela maior, pois pode gerar gatilhos e não é adequado para todas as pessoas.
Depois da primeira edição, com um filme leve e nacional de comédia, seria interessante seguir na mesma linha, pensando em um longa que agrade a maioria do público.
Acredito que, assim como eu, muitas pessoas tenham entrado na sessão curiosas e saído confusas e decepcionadas. “Já acabou? É só isso?”, disseram.
Ficha técnica
Direção: Anna Kendrick
Roteiro: Ian MacAllister McDonald
Elenco: Anna Kendrick, Tony Hale, Jedidiah Goodacre, Daniel Zovatto
Título original: Woman of the Hour
Censura: 16 anos
Por Maria Tereza Castro
Supervisão: Luiz Claudio Ferreira