Dirigido pelo cineasta Ernani Nunes (No ritmo da Fé), o diretor traz mais um projeto sobre fé e superação voltado para o público cristão. Inspirado em uma história real da família Murdoch, o filme é uma adaptação do livro “De a volta por cima” de Philip (Dan Stulbach) e Renee Murdoch (Vanessa Giácomo).
O longa acompanha o drama do pastor Philip Murdoch e seus filhos, que de forma repentina passam a viver um pesadelo após Renee Murdoch, a mãe da família, ser violentamente atacada enquanto se exercitava por uma pessoa em situação de rua com problemas mentais. Com Renee em estado de coma grave, a história gira em torno da família fazendo o possível para que a mãe de quatro filhos possa voltar para a vida normal.
Espaço para a dúvida
Philip Murdoch é um pai rígido com os filhos. De início, o telespectador pode achar que o filme defende a postura do pastor, que não dá muito espaço para os filhos terem dúvida sobre a fé ou mostrarem fragilidade, como por exemplo, na passagem do filme em que ele repreende o choro do filho mais novo perante a situação da mãe com o argumento de “não é hora de chorar, é hora de orar.” ou quando ele grita com o filho mais velho que não quer ir ao culto.
Felizmente, isso não ocorre. O filme apresenta um contraponto através dos filhos e da esposa de Philip, que defendem a importância do diálogo, do sentir e do seu expressar, que está tudo bem não ter certeza das coisas e mostrar fragilidade. Esses debates contribuem para o desenvolvimento de Philip como personagem. Como bem apontado pela médica, vivida por Juliana Alves, que acompanha todo o caso de Renee no filme: “A vida é uma grande competição de quem sabe mais fingir que sabe das coisas.”
Comunidade
Apesar de ser um episódio que aconteceu no meio cristão, a sua mensagem é universal. O filme deixa claro que a superação da família só foi possível graças à uma rede de apoio sólida, desde a família e comunidade local até pessoas ao redor do mundo que se sensibilizaram pela história. Apesar de, durante o longa, Philip optar por decisões arriscadas e não seguir conselhos médicos, a obra não deixa de reconhecer o papel fundamental da medicina na recuperação de Reene.
Atuações
As atuações não são o forte do filme e podem tirar um pouco da imersão do telespectador em alguns trechos. Existem momentos em que os personagens são um tanto caricatos, principalmente os trechos que envolvem o filho mais velho. Em compensação, existe uma cena na parte final do filme que o ator Dan Stulbach entrega muita emoção.
Técnica
O filme apresenta aspectos técnicos competentes como uma boa qualidade de imagem, fotografia, som claro e até mesmo o uso dinâmico de filmagens através de drone. Além disso, se utiliza de trechos reais de jornais da televisão da época que noticiaram o caso de Reene, que dão veracidade e dimensão ao espectador do episódio ocorrido. Um ponto fraco é a edição, a passagem de tempo do filme é apressada, de forma que não sentimos a lenta recuperação de Renee como a obra se propõe. Destaque para a canção original “Fé para o Impossível”, de Eli Soares, composta para o filme.
Ficha Técnica
Título Original: Fé para o Impossível
Direção: Ernani Nunes
Roteiro: Carolina Minardi e Guilherme Ruiz
Elenco: Dan Stulbach, Vanessa Giácomo
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 1h40
Por Arthur Lima (assistiu à pré-estreia do filme a convite da Espaço/Z)
Trailer e fotos: Divulgação
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira