Conheça histórias de ambulantes na rodoviária

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Reportagem conversou com as pessoas que estão por trás do comércio de produtos na estação do Plano Piloto

 Tumulto, correria, caos. Essas são as principais características da Rodoviária do Plano Piloto, na Zona Central de Brasília. Mas isso não é tudo. O espaço feito com o objetivo de ser um ponto para embarque e desembarque construiu uma identidade própria. A rodoviária atualmente abriga pessoas em situação de ruas, vendedores ambulantes, grupos de ciganas, líderes religiosos e outros. A plataforma virou um tapete desvirado de Brasília, no qual tudo que estava encoberto pela capital se mostra. A reportagem conversou com os vendedores ambulantes, que diariamente levam o sustento da família ao fazer a atividade ilegal

Carlos Moreira dos Santos, de 38 anos, vende pipoca nas plataformas da rodoviária. Todos os dias ele grita “pipoca, R$ 2” ao cruzar pela estação. Carlos Santos disse que comeAmbulantes comercializam salgadinhos na rodoviária do Plano Pilotoçou com o serviço depois que não encontrava mais emprego. O rapaz vive nas ruas e faz dessa atividade a única forma de sustento. “Eu moro ali embaixo, ali perto do hospital, eu fico dormindo lá”, indicou o vendedor.

Carlos disse que inicia a jornada de trabalho por volta das 7h30 e só termina quando o último pacote de pipoca é vendido. Na maioria das vezes, por volta das 18h. Ele reclamou dos dias que tem chuva. De acordo com o vendedor, essa é o maior empecilho para o trabalho. “A chuva me deixa gelado igual a um picolé (risos)”.

A vida do vendedor é uma luta a cada dia. Ambulante na rodoviária e morador de rua nas calçadas de  hospitais de Brasília, ele afirmou que a maior dificuldade é conseguir  dinheiro. Ele classificou a iniciativa “construir” um serviço. “Eu comecei do nada, tudo zero, da estaca zero. Fui mendigando. Aí consegui uns R$ 7. Fui numa loja e comecei a comprar pipoca, salgadinho”, lembrou.

 Engraxate-ambulante

Luiz Carlos Alves Correa, 46 anos, é engraxate nas ruas da rodoviária. Ele começou a trabalhar na estação aos seis anos, quando fugiu de casa porque apanhava da Há 40 anos, Luiz Alves é engraxate na Rodoviáriamãe. Luiz Alves disse que, após 40 anos de profissional já conquistou muita coisa com o esforço. “Daqui eu tive a minha casa, três casamentos, daqui eu pago minhas contas”, explicou o trabalhador.

O homem disse que acredita em ter um dom. Ele disse que não tem problemas com a profissão. Para o Luiz Alves, o trabalho é nobre e deveria ser mais valorizado. “Eu gosto, eu tenho prazer. O que eu faço é o que um médico não faria”.  O trabalhador que é pai de três filhos acrescentou que, nos finais de semana, também vende água mineral na rodoviária.

O engraxate faz questão de reforçar o viés religioso que tem. Ele afirmou que já estudou teologia e que faz parte da Marcha para Jesus no Brasil. O trabalhador, contudo, alegou que todas as pessoas devem ser respeitadas sem qualquer tipo de discriminação. Segundo Luiz Alves, ele já foi chamado de “anticristo” por defender esses pensamentos.

 Menor-ambulante

Victor Sousa Oliveira, 17 anos, trabalha de dia na rodoviária vendendo salgadinho e estuda à noite. O rapaz disse que os pais e o resto da família também trabalham nas plataformas da estação. O jovem afirmou que os problemas são os fiscais e o tempo ruim. Segundo Victor, quando está frio é mais complicado de vender a água – a principal venda.

O rapaz alegou que faz o trabalho porque precisa e sabe o que fazer. De acordo com o adolescente, é o responsável por sustentar a casa em que mora com a esposa e com a filha Emanuelle de oito meses.

Sem perspectivas de uma vida melhor, Carlos, Luiz e Victor tentam se sustentar com as vendas na rodoviária do Plano Piloto. Na estação, cerca de um milhão de pessoas passam todos os dias em busca de novos destinos ou chegadas. Apesar do movimento, esses trabalhadores só são ouvidos quando gritam: “água, água”.

Por Jade Abreu    

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