Pessoas com deficiência visual encontram no ciclismo sensações inéditas

COMPARTILHE ESSA MATÉRIA

Grupo DV na Trilha reunido no Jardim Botânico, Brasília – DF. Crédito: Fernanda Ghazali.

Sou uma mulher de cabelos longos, lisos e pretos. Tenho olhos levemente puxados, traço da minha descendência japonesa. Meu rosto é arredondado, uso óculos de grau e tenho pele clara. Naquele 11 de outubro, usava roupa de academia, camiseta, legging e tênis pretos. Foi assim que aprendi como me apresentar para a Jéssica. 

Quando a conheci, ela vestia camiseta e capacete azuis próprios para pedalar, e carregava sua camelbak – uma mochila que armazena água. Com seu 1,55m, cabelos presos em um rabo de cavalo e usando óculos de armação cor-de-rosa, ela havia chegado ao Jardim Botânico para mais um sábado de DV (Deficiente Visual) na Trilha, uma iniciativa voluntária que leva pessoas cegas ou com perda de parte ou toda visão a sentirem o sabor de andar de bicicleta.

A advogada Jéssica Pimenta, de 29 anos, é servidora da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). Durante a pedalada, ela explica que a rotina no trabalho é intensa.  Em 2022, ela foi aprovada no concurso. Atualmente, trabalha no atendimento a famílias em casos de divórcio, disputa de guarda e outras demandas jurídicas. Ela diz que sente realização em poder ajudar outras pessoas. 

“Quando a gente tem alguma deficiência, recebe ajuda de muita gente. Mas é muito bom saber que também posso ajudar as famílias com o meu trabalho. Isso me faz sentir parte, me faz sentir útil”, ressalta. 

Jéssica Pimenta, ciclista com deficiência visual. Crédito: Sofia Martinello.

Jéssica nasceu com retinose pigmentar, uma doença rara que causa a degeneração da retina, região do fundo do olho responsável por transformar luz em estímulo nervoso e enviar ao cérebro. Jéssica explica que perdeu gradativamente a visão até se estabilizar quando tinha 18 anos. Hoje, ela tem  8% de visão no olho direito e 5% no esquerdo. 

Caminho em dupla

Ela segue a programação do projeto em que, quinzenalmente, o grupo se reúne às 9h no Jardim Botânico de Brasília para os passeios. São usadas bicicletas do tipo tandem, bicicletas para dois ciclistas, em que o condutor vai à frente e a pessoa com deficiência visual, atrás.

Naquele sábado, meu encontro com Jéssica não estava marcado. A advogada não constava entre os meus entrevistados, nem havia colocado o nome na lista de presença, que circula no grupo do projeto, ao longo da semana. Mas, enquanto eu, uma jovem repórter, caminhava pelo local antes da trilha começar, o técnico de informática Rui Costa, 32 anos, vestido com trajes de ciclista com a palavra “Condutor” nas costas, me perguntou se eu sabia andar de bicicleta. Respondi que sim, e ele passou o braço pelo meu, me levando para uma experiência que eu ainda não sabia o quanto me marcaria.

Faltava um voluntário condutor para acompanhar Jéssica. Foi assim que nos conhecemos. No início, hesitei. Nunca havia pedalado em uma bicicleta tandem, muito menos conduzindo alguém com deficiência visual. Mas Jéssica, uma mulher que tem amor pelo ciclismo, acabou me guiando. Conversamos durante os 12 km de trilha. Eu, que havia tirado a poeira do meu tênis para fazer esta reportagem, senti o impacto da falta de exercícios regulares. Precisava  parar, respirar e me recompor. Até aceitei uma paçoca que Jéssica me ofereceu e, assim, depois dessa dose de glicose, voltei à vida.

O dia estava quente, com o sol a pino, e a secura do ar brasiliense tornava cada pedalada mais desafiadora. Por vezes, pedia à Jéssica que fosse mais devagar porque eu não conseguia acompanhar o ritmo dela. Pedalando juntas, era necessário sincronia, confiança e comunicação.

Aprendi a ser os olhos de Jéssica na trilha. Avisar sobre galhos, curvas, valas ou obstáculos. Eu descrevia a paisagem sentindo o vento no rosto e ouvindo o canto dos pássaros. Uma borboleta azul com preto passou por nós e me perguntei se “linda” seria suficiente para descrevê-la. Com sotaque baiano e uma prosa simpática, Jéssica tornava tudo mais fácil. Mais memorável. 

A ciclista Jéssica Pimenta e a repórter Ana Tominaga após uma manhã de pedal com o projeto DV na Trilha. Crédito: Simone Cosenza.

Definições

Perguntei qual palavra ela usaria para definir o DV na Trilha. A resposta veio rápido: “inclusão”.

Para a advogada, a palavra carrega um significado profundo. “Inclusão é uma forma de trazer os deficientes visuais para uma atividade que não conseguiriam fazer sozinhos. Dependemos de outras pessoas, e o DV na Trilha inclui pessoas com deficiência visual nessa atividade física tão maravilhosa que é pedalar”, diz. 

Jéssica destacou a locomoção como um dos principais desafios em sua rotina. Ela relembra os tempos em que ia de ônibus para a faculdade e destaca a falta de acessibilidade nas paradas, na rodoviária e em espaços públicos por onde ela circula. Segundo ela, na época, precisava contar com a ajuda de alguém para conseguir identificar o que diziam os letreiros dos ônibus, além de enfrentar a dificuldade diária com a falta de nivelamento das calçadas. 

“Nosso local de trabalho a gente memoriza, nossa residência também. Mas quando vamos a lugares fora da nossa zona de conforto, ficamos perdidos. Pouquíssimas vezes encontramos sinalização adequada”. 

Para Jéssica, falta empatia em nossa sociedade. Em 2021, o Distrito Federal abrigava 113.642 pessoas com deficiência, o equivalente a 3,8% da população, segundo o estudo Retratos Sociais do Instituto de Pesquisa e Estatísticas do Distrito Federal (IPEDF). A deficiência visual era a mais comum, correspondendo a 43,2% desse grupo.

Lágrimas no guidão

O ponto de partida do projeto teve campanha e promessa. “Neste Natal, vai ter pedal para a pessoa com deficiência visual”. E o pedido se concretizou. A intenção dos ciclistas era doar sensações ao invés de bens materiais. “O DV na Trilha nasceu meio que por acaso, se o acaso existisse”, relembra a psicóloga Simone Cosenza, 56 anos. 

Comemoração de Natal no DV na Trilha. Crédito: Arquivo pessoal.

Na época, ela fazia parte do grupo Mountain Bike Brasília ao lado do marido, o engenheiro civil Danilo Hayakawa, 50. Nenhum dos dois tem deficiência visual. O casal explica que para aquele Natal pediram bicicletas tandem emprestadas e deram “voltinhas” com os deficientes visuais. 

Para eles, o resultado daquela ação foi surpreendente. Simone conta que, quando os DVs voltavam do passeio, a emoção era visível. Alguns tremiam, outros não conseguiam segurar as lágrimas. Entre os relatos, deficientes visuais que nasceram cegos e nunca tinham pedalado na vida. Um outro participante que havia perdido a visão já mais velho, aos 30 anos, confessou que não andava de bicicleta há muito tempo e que sentia falta da sensação de liberdade, do vento batendo no rosto. 

Simone e Danilo rememoram que ouvir aqueles relatos os tocava profundamente. Foi nesse momento que os voluntários se olharam e decidiram: “Não podemos mais parar.” E assim fizeram. 

Simone Cosenza e Danilo Hayakawa, casal fundador do DV na Trilha. Crédito: Ana Tominaga.

Danilo explica que, no começo de tudo, não tinham o básico: as bicicletas tandem. Recorreram a doações e também compraram algumas. Naquele começo despretensioso, tinham quatro bicicletas. O próximo passo foi reunir o grupo de amigos que se tornaram voluntários. “A ideia inicial do projeto é que estaríamos doando nosso tempo e compartilhando uma coisa que a gente gosta de fazer, que é pedalar. O DV na Trilha foi crescendo e reunindo mais pessoas”, explica Danilo.

Vinte e um anos depois daquele dia de Natal, o DV na Trilha, que é uma iniciativa pioneira no Brasil, continua a unir condutores e deficientes visuais para pedalar, compartilhar experiências e aproveitar o que a natureza nos proporciona. Hoje, Simone e Danilo atuam como coordenadores gerais do projeto. 

Ao todo, são 12 responsáveis por diferentes tarefas como organizar doações, cuidar da manutenção das bicicletas, vender produtos personalizados (como as camisetas do DV na Trilha), preparar o lanche oferecido ao final do percurso, participar de eventos externos, manter a comunicação com os DVs, prestar os primeiros socorros quando necessário, além dos responsáveis pela segurança ao longo do percurso. 

Quando perguntei à Simone sobre a quantidade de voluntários, ela explicou que não há um número fixo de participantes nos encontros. Segundo ela, o projeto conta com “pessoas fiéis que se agregaram ao grupo”, enquanto outras vão conhecendo a iniciativa, ficando ou partindo ao longo do tempo.

Atualmente, 26 pessoas com deficiência visual participam regularmente do projeto, ou seja, têm lugar reservado em todos os encontros. O DV na Trilha dispõe de 34 bicicletas duplas que ficam guardadas em uma sala do Jardim Botânico com a vigilância do local. 

Também mantém uma fila de espera de 32 interessados, que são convidados quando sobram lugares, mas ainda não puderam ter a garantia da vaga e dos benefícios que o projeto oferece, como a isenção de taxa de inscrição em eventos esportivos e consultas gratuitas oferecidas pelo Instituto Panamericano de Oftalmologia. Segundo a coordenadora geral, a fila de espera existe porque é necessário ter bicicletas o suficiente e também condutores disponíveis para acompanhá-los. 

Cada encontro tem uma média de 80 a 90 pessoas presentes, mas nem todo voluntário quer conduzir. “É uma atividade radical, mountain bike. Por mais que a gente escolha trilhas que tenham um grau bom de acessibilidade para bicicleta dupla, é uma atividade radical e você vai estar pedalando junto com uma pessoa com deficiência visual. Então, depende muito da habilidade do condutor também”, avalia Simone. 

Desafios 

Trilhas nem sempre são planas. Há pedras soltas, buracos que exigem equilíbrio, curvas que pedem atenção, sol, chuva. O DV na Trilha sabe bem disso, não apenas sobre o percurso, mas sobre a própria jornada. Em 2011, o projeto enfrentou um grande desafio. O local onde as bicicletas ficam foi invadido e, das 14 , restaram apenas os quadros que estavam presos por correntes. As peças que podiam ser desmontadas foram todas levadas pelos criminosos. A notícia do furto chegou como um choque. Assim que descobriram o que havia acontecido, os voluntários divulgaram um comunicado nas redes sociais: “As atividades do DV na Trilha estão suspensas por tempo indeterminado. Nossas bicicletas tandem foram furtadas.”

Condutores e DVs ao longo da trilha. Crédito: Sofia Martinello.

A imprensa noticiou o caso e a história ganhou as ruas de Brasília. O que começou como um episódio de perda se transformou em uma onda de solidariedade. Lojistas e ciclistas doaram peças e depósitos começaram a cair na conta do projeto. Valores que surpreenderam até os próprios coordenadores.

Quinze dias depois do roubo, o cenário havia mudado completamente. As 14 bicicletas foram remontadas e outras cinco, novas e de altíssima qualidade, passaram a fazer parte do acervo do DV na Trilha. “Foi uma história que nos marcou, porque algo que era ruim foi transformado, com a ajuda de toda a sociedade, em algo muito positivo. Em vez de termos 14 pessoas com deficiência visual pedalando, passamos a ter 19 com a gente. Foi muito legal e mostrou o quão forte era o nosso trabalho”, entusiasma-se Simone. 

Para o casal de fundadores, o principal objetivo do projeto é a inclusão social das pessoas com deficiência. Antes de cada pedal, os participantes do DV na Trilha se reúnem em roda e declamam em alto e bom som a frase que move o projeto: “todos juntos somos fortes”.

Além da Trilha 

Uma das vozes que declama o lema do projeto é a da massoterapeuta Ana Lídia Martins, 65 anos. Ela e outros quatro irmãos nasceram com deficiência visual pelo fato dos pais serem parentes. Do olho direito, Ana Lídia não enxerga nada e do esquerdo tem apenas 10% da visão. “Às vezes, fico diante do espelho tentando ver meu rosto, e só percebo o vulto”. A paraense mudou-se para Brasília ainda adolescente, trazida pela irmã que já morava na capital. O motivo da mudança foi para priorizar seus tratamentos de visão. Ela chegou a fazer um transplante, mas sem melhora significativa. “Se Deus quer assim, vai ser assim. Eu tô vivendo e sou feliz’”, declara.   

Ana Lídia mora sozinha e costuma se locomover por meio de ônibus e metrô. Ela leva uma rotina intensa como massoterapeuta em diferentes instituições, mas, aos sábados de DV na Trilha, o compromisso é sempre com o pedal. “Eu já aviso logo para o chefe: ‘Olha, esse sábado é dia de DV na Trilha, não me escala que eu vou pedalar”. Desde 2010, Ana Lídia participa do projeto. “O pedal é emoção, alegria, liberdade. É vida”.

Ana descreve como aprecia a forma como o condutor vai à frente pedalando e, ao mesmo tempo, fazendo a descrição da paisagem. “Ele [condutor] empresta os olhos dele para mim e aí você só respira fundo e agradece”, diz. 

Autoconfiança

Maicon Edison de Melo, 29 anos, agente de vigilância ambiental e formado em direito, possui baixa visão e integra o DV na Trilha há quatro anos. Para ele, o projeto vai além do ciclismo. É um lugar de socialização, exercício físico e fortalecimento da autoconfiança dele. “Se pudesse, acho que toda semana poderia ter [DV na Trilha] porque é muito bom”, afirma.

Além da rotina profissional e do envolvimento com o projeto, Maicon é músico. Começou a improvisar no teclado, aprendendo sozinho, e depois se interessou pela sanfona. Inspirado pelos sons que ouvia, passou a replicá-los e, desde então, vem aperfeiçoando a habilidade com aulas de música. Ele define a música como uma de suas maiores paixões. “Ela me ajudou a superar algumas dificuldades, foi meio que uma aliada mesmo”, diz.

Maicon acredita na importância da inclusão e na valorização do potencial das pessoas com deficiência. “A sociedade deve acreditar no potencial de cada pessoa, porque limitações muitas vezes estão só na cabeça. Todos nós somos capazes de alcançar nossos objetivos”, reflete. 

Enfermeiro ciclista 

Naquele dia em que participei do DV na Trilha, uma das participantes com deficiência visual teve um episódio de hipotensão e apresentou sinais de desmaio. Suspeitamos que o calor seco do Cerrado tivesse grande influência nisso. De imediato, Marcos Giesteira, 47 anos, conhecido no projeto como “Enfermeiro ciclista”, foi acionado pelo rádio para prestar os primeiros socorros. Marcos, que também é um condutor experiente, sinalizou ao DV que o acompanhava que precisariam fazer uma pausa e, em seguida, seguiu para o atendimento. 

O enfermeiro Marcos Giesteira pedala com o grupo há cerca de 10 anos. Apaixonado pelo ciclismo, ele usa a bicicleta como principal meio de transporte em Brasília. Em um de seus pedais pela cidade, viu um ciclista vestindo uma camiseta com o nome DV na Trilha e ficou curioso. Ele procurou o perfil do projeto nas redes sociais e decidiu comprar uma camiseta para apoiar a iniciativa.

O que seria apenas uma visita rápida ao Jardim Botânico para buscar o produto, acabou mudando sua rotina. “Eu cheguei lá só para buscar uma camiseta do projeto e nunca mais saí”. 

Marcos relembra a saudade que sentiu dos encontros presenciais durante a pandemia. O projeto precisou interromper suas atividades pela necessidade de isolamento social, mas se reinventou. “Realizamos videoconferências para saber como cada um estava. Na época da festa junina, até fizemos uma celebração virtual em que cada um se fantasiou, teve música, brincadeiras, todo mundo participou”. 

Além disso, a coordenação organizou a arrecadação e entrega de cestas básicas para quem precisou parar de trabalhar, mantendo o cuidado mesmo à distância. 

Em 2023, Marcos criou o projeto “Enfermeiro Ciclista”, inspirado nas situações de emergência que já presenciou durante os pedais. “Ando com um colete de enfermeiro identificado com meu nome e carrego um kit de primeiros socorros na bicicleta. Em todos os encontros do DV na Trilha, estou sempre com meu equipamento”, explica. 

Enfermeiro Ciclista com seu kit para atendimento. Crédito: Maria Eduarda Lima

O enfermeiro lançou recentemente o kit de primeiros socorros para ser colocado na bicicleta. Desenvolvido a partir de estudo e experiência de Marcos, o kit reúne itens básicos como gaze, soro, luvas, ataduras e até um alfinete, que pode ser preso à camiseta para improvisar uma tipoia.

Agora, Giesteira pretende oferecer um curso de primeiros socorros para os deficientes visuais. “Já estou planejando como passar as informações e as práticas para eles. Tenho certeza de que será tranquilo, porque eles são muito dispostos. Esse conhecimento pode contribuir bastante para a vida deles, preparando-os para situações de emergência e oferecendo noções básicas de cuidado”, completa.

Marcos ressalta que a sociedade ainda não enxerga essas pessoas e que é preciso ouvi-las, entender suas necessidades e garantir condições mínimas para que possam ter independência e viver como qualquer ser humano merece. “A gente precisa trabalhar a inclusão em todos os sentidos e valorizar essas pessoas que têm muito a nos ensinar”, afirma.

Para ele, o DV na Trilha é, acima de tudo, um projeto de inspiração. “Eles nos ensinam, nos inspiram a ser pessoas melhores, a enxergar com o coração. Tenho certeza de que, na trilha, quem nos conduz são eles”, afirma. Com os olhos brilhando, o ciclista completa: “Eles mostram que qualquer dificuldade é pequena. Superam tudo e enfrentam qualquer desafio com alegria. É um exemplo. Quando você pensa neles, percebe que qualquer obstáculo na vida parece menor”. 

Sentidos

Depois de 12 km pedalados, com suor na testa e boas conversas, eu e Jéssica retornamos ao ponto de encontro do DV na Trilha. Fomos recebidas com pão de queijo e suco. Para mim, com o horário que se aproximava do almoço, aquele era o melhor pão de queijo que já havia provado. O que mais importava era a sensação de ter conseguido chegar bem trazendo a Jéssica. Os condutores me parabenizaram pela coragem, mas eu só conseguia agradecer pela experiência vivida. Jéssica me convidou para ser sua condutora nas próximas vezes, mas, naquele instante, eu já sabia que, na verdade, ela quem tinha me conduzido. Recuperada depois do lanche, pedi para invertermos os lugares e fechei os olhos para uma volta rápida com outro condutor. Cada curva era um desafio. Insegurança, desequilíbrio e nervosismo, misturados ao experimento do que é viver sem controle. Eu brigava com a minha vontade constante de abrir os olhos e apenas aceitei que eu precisava confiar. Naquele momento, entendi o sentido do que Jéssica havia me falado.

Confira também minidocumentário e podcast sobre essa reportagem

Texto por Ana Tominaga
Minidocumentário por Ana Tominaga, Sofia Martinello, Maria Eduarda Lima e Fernanda Ghazali
Podcast por Ana Tominaga, Sofia Martinello, Maria Eduarda Lima e Fernanda Ghazali

Orientação: Luiz Cláudio Ferreira, Katrine Boaventura e Isa Stacciarini.

Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 4.0 Internacional.

Você tem o direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.

Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.

SemDerivações — Se você remixar, transformar ou criar a partir do material, você não pode distribuir o material modificado.

A Agência de Notícias é um projeto de extensão do curso de Jornalismo com atuação diária de estudantes no desenvolvimento de textos, fotografias, áudio e vídeos com a supervisão de professores dos cursos de comunicação

plugins premium WordPress