Inundar cidadãos de postagens a partir de supostos interesses individuais nas redes sociais tem sido um caminho aberto pelas empresas de tecnologia para reter a atenção do indivíduo. “A rede tende a valorizar o discurso extremista, muita energia e intensidade”, diz afirma a pesquisadora Fernanda Cornils, da área de desenvolvimento sustentável da Universidade de Brasília (UnB).
No ano eleitoral, o tema requer ainda mais atenção. Segundo a pesquisadora, atualmente, tem crescido muito o “Lado B” das campanhas.
O “Lado B” pode ser identificado em postagens com conteúdos estratégicos para atacar o adversário. Com as tecnologias de inteligência artificial, as autoridades terão ainda mais trabalho para conter desinformação e perfis falsos, por exemplo, para manipular a percepção geral sobre outros candidatos.
“Eles hoje são mais valorizados, recebem melhores salários e tem maiores equipes do que quem trabalha com o lado A”, diz a pesquisadora
Monitoramento
Segundo a pesquisadora, a falta de monitoramento ameaça o processo eleitoral. O enfoque nas redes sociais requer também uma participação mais ativa dos candidatos. Se antes ele podia manter a sua presença exclusiva à campanha, agora a via constante de informações pede uma atenção extra.
Fernanda Cornils reforça que a presença online bem construída é necessária. “Ou você produz conteúdo sobre você ou você vai deixar que os outros produzam”, diz.
Segundo ela, as campanhas virtuais exigem uma maior carga de trabalho, pois cada rede possui a sua própria linguagem e perfil demográfico. “Portanto, não basta apenas estar nas redes sociais é necessário conhecê-las também”.
Volta às ruas
Entretanto, a pesquisadora acrescenta que há uma necessidade também de “volta às ruas”, e uma integração das campanhas virtuais e presenciais.
Essa nova perspectiva surge de uma desconfiança com o meio online. “Se você consegue juntar as estratégias de meios tradicionais de comunicação com rua e digital, aí você gera o que a gente chama de efeito celebridade, o efeito telefone”.
Ela entende que o resultado dessa eleição definirá como será o cenário digital daqui para frente. Pois um governo com um direcionamento mais progressista tende a andar na direção da regulamentação, segundo afirma.
Por José Eduardo Brasil
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


