Terra livre: indígenas pedem que educação em aldeias traga mais saberes dos povos originários

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Durante o Acampamento Terra Livre, que se encerrou neste sábado (11), em Brasília (DF), povos de todo o País reivindicaram a implementação de políticas públicas, incluindo a aceleração das demarcações territoriais.

Em busca da conscientização, há uma preocupação das lideranças e das famílias com o papel das escolas na manutenção das raízes e dos saberes ancestrais. Para eles, ainda as histórias dos não-indígenas protagonizam os currículos escolares.

Turymatã é cinegrafista. Foto: Maria Eduarda Barros


O cinegrafista Turymatã Pataxó, de 40 anos, morador da Aldeia Barra Velha, relatou, em entrevista à Agência Ceub, que há dificuldades nas escolas que são enfrentadas em sua comunidade.

Ele lamentou que há apagamentos dos territórios, da cultura e língua indígena de diversos estados do país.

“Desde do período colonial e imperial, nunca tivemos a participação ativa das decisões, o que é muito injusto “, lamenta o indígena.

Saiba mais sobre o povo Pataxó

Para o indígena, o momento requer mais acessibilidade e investimento educacional da língua e cultura indígena. Para ele, o professor indígena tem dupla responsabilidade: a de ensinar o processo da educação indígena e também da educação não-indígena.

Foto tirada por Maria Eduarda Barros\ Agência de notícias Uniceub

Falta de materiais

A falta de materiais escolares e didáticos educacionais se torna um desafio para as aldeias. “Pensamos em construir nosso material didático diferenciado mas que também é uma carência, Lutamos muito para ter professores indígenas remunerados e materiais indígenas”, ressaltou.

Manter o ensino da língua indígena é uma reivindicação nas comunidades, visto que há riscos de apagamento com falta de políticas públicas e de reconhecimento nas unidades de ensino.

Há uma esgtimativa de 192 línguas indígenas no Brasil. “Ainda há gente que acha que a língua indígena não exista, mas no território brasileiro temos uma diversidade enorme”, afirmou.

Eleições


Segundo o TSE, a participação de indígenas em eleições é superior a 70%. Matayat, que tem por apelido Everton, conta que na aldeia Kalapalo (no Alto Xingu), o cacique é a pessoa delegada a mediar e se relacionar com os políticos.  

Matayat confecciona arco e flecha. Foto: André Delattre

Matayat explica que existem reuniões nas aldeias para conversar sobre política. Não somente na própria aldeia, mas reunindo, inclusive, povos de diferentes etnias.

Ele explica que o cacique, por exemplo, não exerce poder coercitivo. “Ele atua como mediador, orientador e representante. Seu poder requer confiança contínua da comunidade”.


Por Mariana Mazzaro, João Delattre e André Delattre
 

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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