Após 20 anos, a icônica franquia estrelada por Anne Hathaway e Meryl Streep retorna com uma exploração mais profunda da nova realidade enfrentada pela moda e pelo jornalismo, impulsionada pelo avanço das redes sociais e das inteligências artificiais, que vêm transformando métodos de trabalho e reduzindo recursos nos meios.
Com estreia nesta quinta-feira (30), o longa, dirigido por David Frankel, acompanha Miranda Priestley em um momento de transição no mundo da moda, tendo que lidar com uma crise em seu departamento após uma reportagem ameaçar sua carreira.
Confira o trailer de “O Diabo Veste Prada 2”
Atuações
Assim como no filme de 2006, o que encanta o público não são apenas as tendências da moda, mas também os personagens cativantes que permaneceram marcados ao longo de duas décadas.
Miranda, Andy, Emily e Nigel retornam de forma fiel ao que foram no primeiro filme, sem abandonar suas essências. Em cena, mantêm uma harmonia que reforça a química entre os personagens, sem que haja disputa por espaço dentro do longa.
Apesar de Miranda ser a personalidade mais memorável da franquia e Andy Sachs a protagonista, a forma como todos se encaixam na narrativa — assinada por Aline Brosh McKenna e Lauren Weisberger, também envolvidas no original — permite que cada um tenha seu próprio arco de desenvolvimento, garantindo um fechamento digno para seus personagens.
Jornalismo e moda
Desta vez, a franquia retorna com a proposta de expor a decadência da indústria da moda em paralelo ao cenário do jornalismo mundial.
Assim como a teoria do High Heel Index, criada pelo economista Trevor Davis, que relaciona o tamanho dos saltos à economia, o longa explora as problemáticas trabalhistas que atravessam ambos os setores e os impactam de maneira semelhante.
Em um contexto no qual as inteligências artificiais e as redes sociais avançam, e grandes empresas passam a reduzir suas equipes, as expressões artísticas e o jornalismo encontram cada vez menos espaço para existir e se desenvolver.
Enquanto o lucro é priorizado, os trabalhadores dessas áreas vivem sob constante ameaça. Nesse cenário, a teoria dos campos do filósofo Pierre Bourdieu — que propõe um equilíbrio entre o econômico e o valor simbólico do trabalho — entra em colapso, dificultando a sobrevivência dessas atividades. É a partir dessa perspectiva que o longa se desenvolve, abordando as relações entre comunicação, arte e moda como um de seus principais destaques.
Direção
Outro retorno importante é o do diretor David Frankel, que demonstra um amadurecimento em sua condução em relação ao filme anterior. Os enquadramentos são mais refinados e funcionam como complemento às atuações, sem jamais ofuscá-las.
Ainda assim, há excessos. A tentativa de situar constantemente o espectador nos espaços e cenários leva ao uso recorrente de planos abertos e aéreos, especialmente de Nova York, que acabam se repetindo em intervalos curtos e perdem impacto.
Por outro lado, Frankel aposta em uma câmera mais agitada — não fixada —, recurso utilizado em séries como “Succession”, que contribui para ampliar a sensação de imersão na rotina acelerada da cidade e nos bastidores da moda e do jornalismo.
Essa escolha se combina com cenas de multidão, nas quais o diretor consegue “poluir” o quadro sem perder o foco em seus personagens, destacando-os em meio ao caos urbano de Nova York.
Ficha Técnica
Título Original: The Devil Wears Prada 2
Direção: David Frankel
Roteiro: Aline Brosh McKenna, Lauren Weisberger
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 1h59
Classificação Indicativa: 13 anos
Por Caio Aquino
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira
Aluno assistiu ao filme a convite do Espaço Z


