Um coro de vozes femininas escapa do foyer da Biblioteca Nacional e rompe o silêncio solene do lugar. Ao atravessar a porta, a cena é surpreendente: uma roda com cerca de 100 mulheres, e no centro delas, uma figura que se destaca. Com um livro nas mãos, ela lança a pergunta: “Quem não gostou da leitura?”. Timidamente, mãos se erguem, oficializando o início de mais uma discussão no “Clube de Leitoras”.

A mulher que parece cativar igualmente o respeito de todas as presentes na sala é Gabriela Artemis, idealizadora do clube. Leitora apaixonada desde a infância, Gabi construiu sua vida em torno dos livros. Formada em Letras, atua como revisora de textos e compartilha diariamente seu amor pela leitura em seu Instagram, reforçando a importância desse hábito para seus quase 40 mil seguidores.
O estopim para a criação do clube foi, principalmente, esse contato com as seguidoras. Foi pelas conversas no Direct — canal de comunicação da rede social — que a criadora de conteúdo percebeu que suas seguidoras tinham interesse no projeto. Assim, no começo de 2025, a leitura para Gabi deixou de ser uma prática individual, solitária, e passou a ser um elo capaz de reunir meninas e mulheres.
Leitoras multiplicadas
Inicialmente, o clube estava de portas abertas para todos que quisessem entrar, independentemente do gênero. Entretanto, desde o primeiro encontro apenas mulheres se organizaram para discutir as leituras. Primeiro foram 25 delas, no mês seguinte 50, no terceiro já eram 300 e então, em apenas 20 dias, a proporção do clube ultrapassou as expectativas.

“A conta ‘O que fazer em Brasília’, que tem como dona uma participante do clube, postou no TikTok um dos encontros. Então, em menos de 20 dias, o clube de 300 mulheres na época foi para mais de 1000”, conta Gabi. Ela afirma que, atualmente, mais de 3800 mulheres acompanham as leituras do grupo — seja participando dos grupos nas redes sociais ou apenas frequentando os encontros presenciais.
A participante Ana Jocélia de Sousa Vergara diz que uma conjunção de fatores torna o clube especial. Mas, segundo acredita, a essência da organizadora funciona como a cola dessa união.
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Solitude e reflexão
Mais do que encontros literários, o Clube de Leitoras é um combustível que impulsiona mulheres a encontrarem momentos de solitude e reflexão através dos livros. Em meio à rotina intensa — trabalho, casamento, família —, elas criam vínculos, tornam-se companheiras e amigas, pensadoras e aprendizes. Juntas, constroem um espaço de troca e conhecimento que transcende as páginas.

O clube parece ser a projeção física dos ideais de Gabriela. Desde a escolha de um espaço acessível — a Biblioteca Nacional, aos domingos, quando o transporte público é gratuito — até a criação de plataformas digitais, como o site www.clubedasleitoras.com.br, que ampliam a inclusão. Para Ana, o “trabalho de formiguinha” da amiga resultou em um ambiente acolhedor, seguro e agradável.
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Por Isadora Carmona
Fotos: Divulgação
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


