A imagem de arquivo do discurso de posse de presidência de Castelo Branco toma a tela do Cine Brasília. “O remédio para os malefícios da extrema esquerda não será o nascimento de uma direita reacionária”, profere o ex-presidente para ser recebido por vaias do público que lotava não apenas as cadeiras do cinema, mas também as escadas e os corredores. Mais tarde este mesmo público aplaudiu e ovacionou de pé o filme de André Ristum, “O Outro Lado do Paraíso”, quando os créditos finais subiram no quinto dia do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
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O longa é adaptação do livro de mesmo nome de Luiz Fernando Emediato. O personagem principal do filme é inspirado no autor e o filme fecha com uma homenagem ao pai dele, Antônio Trindade, vivido pelo ator Eduardo Moscovis. A família de Emediato mudou-se para Brasília em 1963 atrás do sonho de melhora de vida com o presidente João Goulart. A história da produção acompanha a vida da família até abril do ano seguinte, quando a ditadura militar atrapalhou os planos de Antônio.
O autor aprovou a versão audiovisual do livro. “Espero que vocês gostem deste filme como eu gostei, porque eu tinha todos os motivos para detestar. E eu gostei”, disse depois de mencionar que a criação de personagens que não existem na obra original o incomodaram. Luiz Fernando assumiu que a história de busca de sonhos é delicada e que tinha receios iniciais antes de permitir que fizessem um filme do livro dele. Principalmente em uma história na qual ele é personagem. Ristum, o diretor, apenas demonstrou alegria por exibir um filme dele no Festival, onde ele assistiu muitos filmes antes.
Por Vinícius Brandão


