“Não imaginei que fosse viver disso”; jovens desapegam de roupas e lucram com brechós

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O que começou com algumas peças paradas no guarda-roupa e a necessidade de complementar a renda se transformou em negócio próprio para a brasiliense Grazi Medeiros, de 24 anos, no centro comercial de Brasília.

Ela diz que enfrentou dificuldades de inserção no mercado de trabalho e passou a buscar alternativas de renda. Para ela e outras jovens, os brechós têm se consolidado como uma porta de entrada para o empreendedorismo.

Dona de um brechó criado em 2022, ela começou sem investimento inicial, utilizando apenas roupas próprias e peças doadas por familiares.

“Eu tinha acabado de sair do meu estágio. Comecei a desapegar e vi que era uma oportunidade também de ganhar uma renda extra. Não imaginei que fosse viver disso. Hoje eu vivo disso”, garante.

O negócio nasceu de forma simples em 2022, sem planejamento formal ou grandes recursos. Quatro anos depois, a realidade é outra. O brechó ganhou espaço próprio e se tornou sua principal atividade profissional.

A rotina de quem empreende, porém, vai muito além das vendas. Grazi é responsável por praticamente todas as etapas do processo: garimpo, seleção, higienização das peças, divulgação, atendimento e comercialização.

“Eu faço a maior parte sozinha. Garimpo sozinha, faço a curadoria, higienizo as peças. Todo dia é um aprendizado novo. Ainda estou vivendo e aprendendo”, aponta. 

Identidade

Transformar um brechó em negócio exige mais do que encontrar boas peças. Em um mercado cada vez mais competitivo, construir identidade própria e conquistar espaço entre os consumidores é um dos principais desafios enfrentados pelos jovens empreendedores.

Para Luana Salvador, de 25 anos, estudante de Psicologia e proprietária de um brechó, consolidar uma marca é uma das etapas mais difíceis da trajetória. Ela resolveu empreender de forma virtual.

“É muito difícil consolidar uma marca em um espaço onde tem tantas pessoas. Mas, quando sua marca é autêntica e traz coisas diferentes, você acaba atraindo um público”, conta Luana. 

Luana Salvador entende que é necessário ao brechó ter identidade própria. Foto: Agência Ceub

Além da concorrência, ela aponta que a idade ainda pode ser um obstáculo para quem está começando.

“As pessoas levam um pouco menos a sério a galera mais jovem. Mas eu acho que a gente está mudando o mercado.”

Apesar dos desafios, muitos empreendedores encontram nas redes sociais e nas feiras presenciais oportunidades para divulgar seus produtos e conquistar clientes.

Foi o caso de Sarah Katharyne, de 26 anos. Formada em Design de Moda e estudante de administração, ela começou vendendo em feiras universitárias antes de criar o próprio negócio.

“Eu tinha muita vontade de ter um brechó, mas tinha vergonha e insegurança. Fazendo feiras e vendendo presencialmente, vi que realmente gostava.”

Segundo ela, a visibilidade foi uma das maiores dificuldades no início da jornada.

“Muita gente não apoia muito quando você começa. Através das feirinhas eu consegui vender bastante e isso foi me dando mais confiança para continuar.”


O crescimento da popularidade dos brechós na juventude também tem despertado o interesse de adolescentes que enxergam nos brechós uma oportunidade de empreender ainda cedo.

Aos 15 anos, João Victor decidiu abrir a própria loja inspirada pela trajetória da mãe, que atua no segmento.

“Eu vejo que realmente é um bom empreendimento. Posso trabalhar com uma coisa que eu gosto e ganhar meu próprio dinheiro.”

Para ele, empreender representa mais do que uma fonte de renda: é uma forma de construir autonomia desde cedo.

“Eu não preciso depender de um jovem aprendiz ou de um trabalho qualquer. Posso trabalhar com algo que gosto.”

Se para alguns o brechó começou como uma alternativa para complementar o orçamento, para outros ele se transformou na principal fonte de renda e independência financeira.

Grazi Medeiros afirma que o negócio possibilitou algumas das maiores conquistas de sua vida adulta.

“Hoje eu posso dizer que vivo de brechó mesmo. Foi ele que me ajudou a sair da casa da minha mãe.”

Luana compartilha sentimento semelhante. Para ela, o empreendedorismo foi fundamental para alcançar um objetivo que parecia distante.

“A principal conquista que consegui com o brechó foi morar sozinha. Era uma necessidade minha e, graças ao brechó, eu consegui isso.”

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Por Catherine Machado Bastos (texto e fotos_
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira

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