O Dia dos Namorados, data em que se celebra o vínculo afetivo, de intimidade e de apego entre casais, especialistas em relacionamentos defendem a necessidade do amor-próprio como uma jornada de autocompromisso e resistência contra as pressões sociais relacionadas ao valor das pessoas.
A psicanalista e neurocientista Andréa Vermont diz que, nesse 12 de junho, que o vínculo mais revolucionário é aquele que construímos conosco, servindo de base para qualquer outra conexão saudável.
“Você namora consigo mesma?”, provoca.
Segundo a especialista, o autoamor não é algo superficial, mas a capacidade de ser seu próprio abrigo nos momentos de autocrítica, ódio ou solidão. Trata-se de se perdoar e escolher ficar consigo mesma, até quando outras pessoas se afastam.
Para ela, a sociedade tenta convencer as pessoas de que seu valor depende do desejo ou amor de terceiros e a falta, desse amor, pode gerar uma “doença” em que os indivíduos tentam se diminuir para caber em espaços ou se calar para agradar aos outros.
Sem julgamentos
Andréa sugere ações práticas de reconquista pessoal para fortalecer esse vínculo, como sair consigo mesma sem pressa ou julgamentos, em dias difíceis, enviar mensagens de apoio para si mesma em grupos de WhatsApp individuais e olhar-se no espelho com ternura e orgulho por toda a sua trajetória percorrida.
Ela propõe, para esse Dia dos Namorados, ressignificar a data como um dia de compromisso com o próprio corpo e história. Esse pacto é simbolizado por uma aliança invisível e um abraço forte, que representa a aceitação das partes de si que nunca foram amadas por ninguém, inclusive pela própria pessoa.
“Quem possui amor-próprio não aceita ser tratado como “sobra”, explica
A médica psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa, uma das maiores referências em saúde mental no Brasil, foca na gravidade da dependência afetiva. Para ela, algumas pessoas se conectam ao outro, assim que entram em um relacionamento, perdendo a percepção de si mesma e podem chegar a níveis extremos, incluindo tentativas de tirar a própria vida.
Para tratar a dependência, é necessário um período de isolamento voluntário e consciente (solitude), ela recomenda que o indivíduo fique de um a dois anos sem se relacionar com ninguém. Esse tempo é essencial para que consiga enxergar sua própria situação e romper um ciclo vicioso.
O foco da recuperação deve ser assumir uma relação de amor-próprio, antes de buscar alguém que a “mereça”, a pessoa precisa entender que ela mesma merece estar em sua própria companhia primeiro.
“Vai se relacionar com você? Ou você assume que vai ter uma relação de amor com você ou não vai dar”, diz a doutora
Segundo a Psiquiatra, a solitude ensina o indivíduo a fazer escolhas melhores no futuro, sem esse aprendizado, a tendência é repetir os mesmos padrões destrutivos, apenas mudando o nome do parceiro ou da parceira, funcionando como um vício que se repete.
“Porque quando você deixa um vício, se você não souber fazer escolhas, você vai voltar”, conclui.
Influencers que abordam temas lifestyle divulgam estratégias práticas na romantização da própria companhia durante o Dia dos Namorados, o que entra em consonância com as práticas sugeridas pela psicanalista Andréa Vermont e pela psiquiatra Ana Beatriz Barbosa.
Caio Keidi, criador de conteúdo e influenciador digital sugere que a pessoa solteira, aproveite o dia dos namorados para um dia de autocuidado e lazer individual
“Tire um dia de princesa, vá sozinha a restaurantes que sempre quis conhecer, ao cinema ou contrate uma massagem”, diz Caio
Ele propõe maratonar séries que o ex-parceiro não gostava como uma forma de celebrar a própria liberdade e relembra que o Dia dos Namorados é apenas mais um dia e que a condição de solteiro não deve ser vista como um peso excessivo.
A apresentadora e influenciadora digital, Julyana lee questiona a narrativa social de que a mulher precisa ser resgatada por um príncipe encantado, e incentiva a descoberta do que a faz sentir-se amada de forma independente, propõe um desafio para que as mulheres se priorizem e entendam o que as deixa genuinamente felizes, independentemente de estarem em um relacionamento.
“Você sabe o que te deixa genuinamente feliz ou o que te faz se sentir amada?”, pergunta.
Ela relata a importância de transformar momentos simples em rituais especiais, como fazer refeições sem pressa e assistir aos filmes favoritos, fazer rituais de autocuidado como um Banho Premiume incentiva curtir a própria companhia.
Julyana defende que o amor mais importante de todos é aquele que o indivíduo constrói consigo mesmo.
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Por João Delattre e André Henrique
Sueprvisão de Luiz Claudio Ferreira


