O futebol do Distrito Federal iniciou a temporada de 2026 sem a renovação dos contratos de patrocínio de R$ 9,11 milhões que 11 equipes tinham com o Banco de Brasília (BRB), segundo levantamento feito pela reportagem. O único contrato mantido é com um clube de fora da capital, o Flamengo (RJ), em R$ 42 milhões.
A medida afeta clubes que receberam recursos para a disputa do Campeonato Candango, competições nacionais e projetos ligados ao futebol feminino.

Enquanto dirigentes afirmam que já não contavam com os valores em seus planejamentos financeiros, o banco informou que todos os contratos vigentes passam por reavaliação da nova gestão.
No Ceilândia, a diretoria informou que a ausência do recurso não trouxe impacto imediato, já que o clube não trabalhava com a expectativa de receber novos aportes nesta temporada.
O Brasiliense também minimizou os efeitos da medida e informou que a parceria mantida anteriormente estava vinculada apenas ao Campeonato Candango.

Já o Capital destacou que não possui acordo vigente com o BRB, mas classificou a instituição como fundamental para o desenvolvimento do esporte local e manifestou expectativa pela retomada do apoio.
“Critérios técnicos”
Em resposta à Agência de Noticias CEUB, o BRB informou que todas as decisões relacionadas aos patrocínios seguem critérios técnicos e estratégicos, observando princípios de economia, transparência e governança.
“Todos os contratos vigentes estão sendo reavaliados pela nova gestão do BRB, de forma criteriosa, para garantir aderência às prioridades institucionais e conformidade com normas e boas práticas”, afirmou em nota.
Segundo a instituição, a estratégia é priorizar investimentos com potencial de impacto social, promoção da cidadania e contribuição para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.
A presidência do Banco de Brasília (BRB) passou por mudanças em novembro de 2025, após o afastamento judicial do então presidente, Paulo Henrique Costa.
A alteração ocorreu em meio às investigações da Polícia Federal conduzidas pela Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes e pagamento de propina relacionado á aquisição de ativos do Banco Master.
Desde então, o banco é comandado por Nelson Antônio de Souza, indicado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
O levantamento realizado pela reportagem com base nos Quadros Demonstrativos de Despesas (QDD) do BRB identificou R$9,11 milhões destinados a clubes, entidades e projetos ligados ao futebol do Distrito Federal.
Os recursos contemplaram desde equipes participantes do Campeonato Candango até iniciativas voltadas ao futebol feminino.
Entre os maiores valores identificados estão os destinados à Federação de Futebol do Distrito Federal (R$3,15 milhões), ao Real Brasilia Feminino (R$1,872 milhão), ao Capital (R$1,149 milhão ) e ao Minas Brasília ( R$1,01 milhão).
Investimentos no futebol feminino
Os dados levantados pela reportagem mostram que parte significativa dos recursos foi destinada ao futebol feminino do Distrito Federal. Nesse contexto, o Real Brasília Feminino recebeu R$1,872 milhâo em aportes, enquanto o Minas Brasília contou com R$1,01 milhão voltado ao desenvolvimento da modalidade.

Os valores colocam as equipes femininas entre as principais beneficiadas pelos investimentos esportivos identificados pela reportagem, demonstrando a relevância dos recursos para a manutenção e o desenvolvimento da modalidade no Distrito Federal.
A reportagem entrou em contato com representantes do Minas Brasília para comentar a importância desses recursos e os possíveis impactos da reavaliação dos contratos anunciada pelo BRB. Entretanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno aos questionamentos encaminhados.
As decisões adotadas pelo BRB nos próximos meses poderão redefinir a participação da instituição no financiamento do futebol do Distrito Federal, especialmente em projetos e modalidades que historicamente depende, do apoio institucional para sua manutenção e desenvolvimento.
Por André Pinheiro, Fernanda Pinheiro e Lucas Soares
Supervisão de Vivaldo de Sousa e Luiz Claudio Ferreira


