O novo capítulo do Universo DC, Supergirl, dirigido por Craig Gillespie, chega aos cinemas nesta quinta feira (25), com a responsabilidade de adaptar a premiada HQ Mulher do Amanhã.
No entanto, a produção apresenta um grande contraste. Enquanto a força da protagonista e a mensagem emocional da obra conseguem ecoar, o filme é prejudicado por um roteiro pouco inspirado e escolhas técnicas que comprometem a imersão visual.
A obra se equilibra entre o talento de seu elenco e uma execução burocrática que joga seguro demais.
Confira o trailer de “Supergirl”
Atuações
O grande triunfo da produção está no desempenho de Milly Alcock. A atriz australiana assume o manto de Kara Zor-El com uma entrega absoluta que sustenta a narrativa.
Alcock transita entre a vulnerabilidade e a determinação, garantindo que a heroína tenha uma identidade própria e não seja apenas uma versão feminina do Superman.
É sua capacidade de exibição emocional que mantém o espectador instigado, mesmo quando a trama ao seu redor escorrega.
Nesse cenário, a introdução do anti-herói Lobo, interpretado por Jason Momoa, surge como um alívio natural.
Momoa parece ter nascido para o papel, abraçando o exagero do personagem com um entusiasmo contagiante e demonstrando uma química inesperada com a jovem Ruthye (Eve Ridley).
Contudo, o filme comete o erro de oferecer pouco tempo de tela para o personagem. A participação é prática, mas deixa a sensação de que um dos elementos mais interessantes do longa merecia muito mais espaço para se desenvolver.
Roteiro
Em contrapartida, o desenvolvimento narrativo não acompanha o brilho das atuações.
O roteiro de Ana Nogueira é preguiçoso, recorrendo a soluções fáceis e desculpas furadas para nivelar os poderes da protagonista aos de seus adversários.
Falta ambição para traduzir a densidade do material original, resultando em uma trama que acumula inconsistências e resoluções previsíveis.
Essa falta de vigor reflete diretamente na construção do vilão Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts).
O antagonista é genérico e desprovido de motivações reais ou complexas, asfixiando o talento do ator Schoenaerts sob uma caracterização que o torna um obstáculo descartável.
Sem uma ameaça intimidadora, o conflito central perde força, tornando-se uma sucessão de desafios que não justificam a escala de uma aventura interestelar.

Fotografia e edição
A adoção de cores apagadas e marrons faz o visual ficar repetido, onde diferentes planetas acabam parecendo o mesmo cenário, o que reduz o impacto das locações grandiosas que a fantasia exigia.
Em vez de potencializar a escala da jornada, a imagem torna a aventura mais comum e desprovida de identidade visual própria.
A edição também compromete o espetáculo. As cenas de luta sofrem com um excesso de cortes rápidos, o que prejudica a fluidez e a compreensão das sequências.
Em diversos momentos, a montagem polui a vista do espectador antes que a ação possa empolgar, resultando em uma experiência visual confusa que falha em entregar a fluidez necessária para os momentos de combate.
Mensagem
Apesar de todas as falhas estruturais, Supergirl consegue entregar uma mensagem tocante sobre o sentimento de deslocamento e luto.
A jornada de Kara para encontrar um lugar que possa chamar de seu, após o colapso traumático de Krypton, é o que dá coração ao filme. É uma reflexão sobre autodescoberta que, ancorada pela performance de Milly Alcock, garante que a obra não seja totalmente esquecível.
Ficha Técnica
Título Original: Supergirl:
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, Jason Momoa, Matthias Schoenaerts, Eve Ridley
Gênero: Aventura/Fantasia
Duração: 1h48
Por Felipe Farias
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira
Repórter assistiu ao filme a convite do Espaço Z


