O novo longa do aclamado diretor Alejandro G. Iñarrito (Birdman), chega aos cinemas do Brasil nesta quinta-feira (1/10) com o ator Tom Cruise em um papel totalmente diferente do que o público se acostumou a ver nos últimos 20 anos.
O filme marca o reencontro de Iñárritu com o fotógrafo Emmanuel Lubezki e com os roteiristas de Birdman, além de trazer um elenco de apoio de peso com Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller e Jesse Plemons. Com distribuição da Warner Bros., Digger já estreou em Londres com presença da família real britânica e chega cercado de burburinho para o Oscar.

Trama
Longe do herói indestrutível de Missão: Impossível e Top Gun, Cruise aqui vive Digger Rockwell, um magnata do petróleo carismático, narcisista e desesperado. É um personagem patético e cruelmente engraçado, sem corridas, sem acrobacias, só ego. Talvez a atuação mais arriscada da carreira dele desde Magnólia.
Digger é, no fundo, uma parábola sobre o presente. Depois que uma de suas plataformas na Groenlândia explode e desloca uma imensa placa de gelo, Rockwell provoca um desastre climático global e, em vez de assumir a culpa, embarca em uma missão para convencer o mundo de que apenas ele pode nos salvar.
O que Iñárritu faz é uma sátira à era dos bilionários salvadores. Num mundo onde os homens mais poderosos do planeta se vendem como gênios filantropos enquanto lucram com a própria destruição que causam, o filme acerta em cheio. Ri da tragédia até você perceber que a tragédia é real.
Confira o Trailer
Atuações
Se Digger funciona, é porque Tom Cruise comprou totalmente a ideia de ser ridículo. Ele não tem medo de parecer pequeno, suado e desesperado por atenção.
Riz Ahmed rouba a cena como a voz racional do filme, e John Goodman, como um presidente caricatural, entrega o alívio cômico mais afiado. Mas é Sandra Hüller, como a irmã cética de Digger, quem dá o chão emocional que o filme precisa para não virar só caricatura.
Direção
Iñárritu volta ao que fez de melhor em Birdman: a câmera nervosa, os planos-sequência sufocantes e o humor que surge do desconforto.
Com Lubezki na fotografia, ele filma o fim do mundo como se fosse um circo midiático, onde a catástrofe é sempre interrompida por uma coletiva de imprensa. É uma direção megalomaníaca para falar sobre megalomania, e funciona.
No fim, o filme é sobre essa linha tênue entre ambição e destruição. Iñárritu mostra como o desejo de ser o maior, de dominar recursos e narrativas, pode ser exatamente o que nos condena.
Em um momento marcado por disputas por poder, crises climáticas e um egocentrismo cada vez mais explícito na política americana, o filme soa menos como ficção e mais como um espelho incômodo, e hilário do presente.
Ficha técnica
- Direção e roteiro: Alejandro G. Iñarrito.
- Data de lançamento: 1° de outubro de 2026.
- Duração: 2 horas e 9 minutos (129 minutos).
- País de origem: EUA.
- Gênero: Comédia, Humor Ácido.
- Elenco: Tom Cruise (Digger Rockwell), Riz Ahmed (Ganesh), Sandra Hüller (Emma).
Por Átila Lustosa (repórter assistiu ao filme a convite da Espaço/Z)
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


