Ativista e pesquisadora indígena critica apropriação cultural

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O papel da mulher indígena e a apropriação cultural são temas explorados pela ativista e mestra em geografia, Márcia Kambeba. Com um trabalho voltado para a valorização da cultura indígena e melhores condições de vida nas aldeias, a luta de Márcia é pautada“pela manutenção das culturas que são milenares e que partem das mulheres”.

Segundo a pesquisadora, a mulher indígena possui muitos papéis culturais: educadora, dona de casa, militante e cacica. “A mulher é professora, porque ela estuda na faculdade, ela dá aula. Ela é cacica, está liderando sua aldeia. Ela é militante, vem à Brasília, luta pelos seus direitos e volta”. Além da sua participação ativa na dinâmica social da aldeia, a mulher indígena tem um papel mais importante e íntimo com a natureza. “A terra é feminina. Tanto que chamamos mãe-terra. Então a mulher sente uma relação muito forte com a terra e ela que vai arrancar a macaxeira, plantar a macaxeira, ralar, descascar”.

Márcia Kambeba também comentou que apropriação dos objetos e tradições indígenas é errada. Segundo ela, o indígena enxerga todas as suas ações e objetos como sagrados. Os instrumentos musicais ganham um significado religioso quando usados em rituais. “Tudo é o que a natureza nos dá. Tudo tem um eco do sagrado, faz parte do território do sagrado”.

E os grafismos também são elementos importantes para os indígenas, pois funcionam como elementos de identidade cultural. “Se eu pego um grafismo, ponho na minha mão e não sei o que ele está representando, é errado, porque eu tenho que respeitar a cultura daquele povo e o que aquilo tá significando”.

Veja a entrevista completa:

 

Violência histórica

A violência contra os indígenas, desde o período da colonização, ainda repercute nos dias atuais. Márcia conta que muitos indígenas não falam a língua nativa, porque, no passado, se alguém encontrasse uma família falando em língua diferente do português, todos os membros eram chicoteados até a morte. A pesquisadora conta que havia diversas práticas para dizimar a população indígena.“Pegavam roupas infectadas de varíola e doavam ou jogavam de helicópteros cobertores infectados”. A ativista também compõem músicas e é poetisa. Márcia acredita na importância desses meios para a  luta indígena contra a violência.

As mulheres indígenas ainda sentem a violência perpetuada por muitos anos. A pesquisadora vê o Brasil como “um filho do estupro”, quando no início as mulheres indígenas eram violentadas pelos portugueses. Hoje, a situação não mudou. “Nós temos várias mulheres que são violentadas para darem recado. Então eles vão lá, estupram as mulheres para avisar o cacique para ficar de bico calado”.

 

Por Larissa Lustoza e Vítor Mendonça

Sob supervisão de Luiz Claudio e Katrine Tokarski Boaventura

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