A história da construção da capital é lembrada pelos monumentos e particulamente pela participação dos homens, mas a presença de mulheres negras não tem destaque nas palavras de guias dos palácios. Os acidentes e mortes na construção também não são objeto de registro para os turistas.
“Essas partes dos acidentes e violações não são realçadas, porque não fazem parte do objetivo da visita”, explicou uma guia do Itamaraty.
Ela também disse que o roteiro é padrão para todas as visitas, sem muita chance de mudar. Assuntos como raça e questões sociais podem surgir, mas isso depende de como cada guia decide abordar.
“A dimensão racial e social é abordada de uma maneira individual com cada mediadora”, afirmou.
Contraste invisível
No Museu Vivo da Memória Candanga, uma exposição sobre mulheres mostra a importância delas na construção da capital. Textos do museu contam que as primeiras mulheres enfrentaram dificuldades como falta de estrutura, casas ruins e poucos serviços básicos. Além disso, elas trabalharam em várias profissões.


Mesmo valorizando o papel feminino, a visita não mostrou por exemplo, mulheres negras nas fotos expostas. Isso acontece mesmo sabendo que muitos trabalhadores negros foram importantes na construção da cidade.
Narrativa incompleta
Uma outra guia de turismo, que realiza roteiros sobre a história negra da capital, acredita que a falta de visibilidade pode vir de como a história oficial foi escrita.
“A maior parte dos candangos era composta por trabalhadores negros e imigrantes pobres, mas essa dimensão racial ainda aparece de forma secundária na história oficial”, afirmou Ana.
Ela explica que ideias como o mito da democracia racial e a falta de atenção para raça, gênero e classe fazem com que essas histórias não sejam vistas.
“Se a história fosse contada a partir dos próprios candangos, a gente teria uma outra história para ser contada”, disse.
Por: Yasmin Fernandes e Hyá Pires
Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira


