O artista plástico Manu Militão pretende atravessar o continente até o Alasca pintando a cada parada, a cada nova inspiração
O artista plástico Manu Militão está terminando o planejamento para uma aventura sobre rodas até o Alasca. A iniciativa integra seu novo projeto “Border” (fronteira), em que pretende transmitir uma diferente visão sobre as pessoas que moram nas extremidades e vivem de maneira humilde. Desde os 13 anos de idade, o artista plástico trabalha com telas e exposições de artes plásticas. Os elementos figurativos são marcas do seu trabalho. A ida do artista já está planejada, inclusive com data para ser iniciada: dia 20 maio. A escolha levou em consideração o clima na América. Para o Alasca são aproximadamente 18. 380 km e serão realizados em cerca de três meses.

No novo projeto, Manu Militão pretende mostrar as “várias vidas” de quem mora nas margens, que vivem em lugares onde as pessoas nem mesmo já passaram. O artista plástico se inspirou na obra “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, publicada em 1956, para contar “as histórias que ninguém ousou contar”.
Com uma ideia de caminho crítico, o artista plástico pretende levar suas telas pelo caminho, ou seja em cima de sua moto. Para isso, produz uma estrutura própria no veículo para poder pintar em paradas estratégicas. O artista pretende produzir 15 telas até o final da viagem e os desenhos feitos por ele devem conter apenas pessoas de várias etnias e profissões. O próprio ato de desenhar as telas é para o artista uma forma de abrir novos horizontes e novas idéias “É uma ideia de sair do seu lugar comum, sair da zona de conforto”.
Confira entrevista abaixo
Um dos desafios relatados pelo artista é justamente aproveitar um ambiente propício para pintar suas telas, com uma luz adequada e ambiente limpo. Ele vai em busca de trazer o que é diferente. “A experiência pode ser traduzida em cada pincelada, que pode ser mais calma ou rápida. Isso vai depender de como eu estiver e onde eu estiver”. Para Militão, a experiência precisa ser relatada de alguma forma, e serão mostradas em telas realistas. Serão retratos de pessoas que estão ali, prontas para serem representadas de alguma forma.
A escolha de ir até o Alasca, para o artista plástico é uma forma de mostrar o extremo. e o artista planeja já cada local onde irá passar mas não descarta os imprevistos. “Não tem como ser controlado isso, tem que ter uma estrutura e não ficar desesperado por não conseguir um local onde queria dormir”.
As telas que contarão a história dessa viagem serão expostas em Brasília, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Belém e serão expostas depois de sua longa viagem de moto pelo continente.
Por Yasmim Araujo
Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira