A Universidade pluriétnica indígena surge em 2006 como um espaço para discutir e integrar saberes culturais e educacionais de diferentes povos indígenas.
Localizada no antigo Museu do Índio no Rio de Janeiro, a universidade luta também pelo reconhecimento do espaço urbano indígena, a Aldeia Maracanã.
Um dos fundadores da universidade e um dos principais líderes do contexto urbano-indígena, o Cacique Urutau Guajajara defende um espaço de trocas étnicas dentro das cidades.
“A maioria de nós já nos encontramos fora dos territórios tradicionais. Então, nos anos 2000 começamos a discutir uma universidade urbana de educação indígena com métodos diferentes das universidades convencionais”, conta o Cacique.
Urutau ainda ressalta o atraso do Brasil em relação a outros países da américa-latina, como Bolívia, México e Colômbia, que já possuem espaços de saberes indígenas reconhecidos pelo Estado.
“Estamos há mais de vinte anos nessa luta. Este ano, o MEC iniciou uma discussão para a criação de uma universidade indígena, mas exclui totalmente a já existente universidade na aldeia Maracanã”, protesta Urutau.

Cacique Urutau Guajajara. Foto: Júlia Lopes
Além da educação
O professor e ex-estudante da universidade, Lucas Munduruku, entende que o espaço vai além da educação.
“É um ambiente de formação do ser humano onde diferentes conhecimentos de cada povo são compartilhados. Meu povo tem mais de dez mil anos de saber nesse território”, enfatiza Lucas.
Breno Tupinambá encontrou na universidade um espaço dentro da cidade seguro para ser indígena. “É um lugar organizado por indígenas para indígenas. Assim, mantemos nossos conhecimentos fortes e exigimos nossos direitos”, diz.

Placa da Universidade Indígena no ATL 2024. Foto: Júlia Lopes
Por Júlia Lopes e Maria Beatriz Giusti
Supervisão: Luiz Cláudio Ferreira