Mãe solo em Luziânia (GO) atravessa BR-040 a pé para levar filho com hidrocefalia ao hospital

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Por volta das 4h da manhã, a cuidadora de idosos Andréia Santos precisa estar acordada diariamente para levar o filho mais novo, Thallyson, de 10 anos, que tem hidrocefalia e mielomeningocele, para consulta às 8h da manhã no hospital Sarah Kubitsckek, referência no Distrito Federal.  

Mãe solo de duas crianças, ela encara plantões de 24 horas e ainda estuda para ser técnica de enfermagem.

Caminhada de 1 km

Por volta das cinco horas da manhã, quando as crianças já estão prontas, Andreia precisa percorrer cerca de um quilômetro, levando o filho Thalisson, que é cadeirante, e Darckson até a parada de ônibus, para atravessar a BR-040 e pegar o ônibus no sentido Brasília, Andreia espera cerca de 15 minutos, até que uma carreta de ônibus pare, e ela possa atravessar com seus filhos. 

Quando o ônibus chega, o elevador que permite a acessibilidade de cadeirantes está funcionando.  “Muitas vezes, não está funcionado, e raramente as pessoas se mobilizam para ajudar, quem me ajuda é o Darckson, ele sobe irmão porquê nem os cobradores ajudam” revela Andreia.

Apesar do problema, Andréia tem em sua rede de apoio uma vizinha, que se identificou como Silvana, que fica com as crianças enquanto Andreia faz plantões e trabalha. 

“Eu cuido das crianças com o maior prazer, levo no clube, arrumo a casa…”, conta Silvana, que não mede esforços para ajudar a amiga. Silvana tem uma agenda de trabalho flexível, que permite que ela dê o apoio necessário a Andreia.

As crianças estudam de manhã. Thalisson estuda em uma sala de inclusão com outras cinco crianças. Andréia comenta a importância da capacitação de profissional e adequação das escolas para receber alunos com deficiência.

“Eu aprendo muito com a professora do Thalisson, ele evoluiu muito na leitura, ela é uma profissional muito competente que faz a diferença”. Para que Thalisson conseguisse ingressar na escola, Andreia precisou ir ao conselho tutelar conseguir uma vaga.

“Falaram para mim que não tinha vaga, eu questionei falando que por ser uma criança com deficiência ele tinha direito, e fui orientada a buscar o conselho tutelar”. 

Ao chegarem ao Plano Piloto, Andréia encontra outras mães, que vêm de outras regiões do Entorno que ficam hospedadas em casa de apoio para que os filhos façam tratamentos de reabilitação motora no Sarah.

“Muitos pais quando descobrem que o filho tem alguma deficiência, separam da mulher e dos filhos, vejo muitas mães sozinhas […] sinto muita falta de uma rede de apoio para nós. Não temos com quem trocar experiências, aquele é o único momento que temos para saber o cotidiano uma da outra, e dar força”. 

Mesmo recebendo o Benefício da Prestação Continuada (BPC), Andréia diz que não tem como diminuir o tempo de trabalho.

“Minha vida é bem corrida, preciso sustentar a casa. Às vezes, faço escala de 12h por 36 horas de descanso. Precisamos correr atrás do nosso complemento, um salário mínimo não é suficiente para manter uma casa”.

Por Ana Carolina Rubo

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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