O Distrito Federal é o 12º entre os municípios brasileiros com maior número de trabalhadores que levam mais de duas horas no deslocamento entre casa e trabalho, segundo Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE.
Enquanto 46,3% da população utiliza o carro como principal meio de transporte no DF, 32,9% depende do transporte público.

A contadora e estudante universitária Danúbia Ribeiro, de 32 anos, relata os desafios de quem depende do transporte público para se locomover. “Eu moro em São Sebastião e trabalho na Asa Norte. Todo dia eu acordo às 5h, pego três ônibus, passando pela Rodoviária, para chegar na UnB. Depois, volto para a Rodoviária para pegar mais um que me deixa de volta na Asa Norte, no meu trabalho”, explica.
Ela afirma que, se gastasse menos tempo no deslocamento, teria melhor qualidade de vida. “Eu perco mais de três horas por dia em ônibus, e esse é um tempo que eu poderia usar para cuidar de mim, ver minha família e estudar mais para ter mais oportunidades”, declara.
“Eu chego em casa por volta das 23h30 e tenho menos de cinco horas de sono até acordar. Isso também afeta minha saúde”, completa.
Danúbia destaca ainda que a baixa integração entre linhas de ônibus nas cidades satélites e o acesso limitado ao metrô de Brasília são os principais fatores que dificultam o uso do transporte público. Segundo ela, esses são problemas que deveriam ser prioridade do governo.
Já a arquiteta Flávia Perpétuo, de 47 anos, apresenta uma realidade diferente. Trabalha em home office, não enfrenta deslocamentos diários. Quando precisa atender clientes, utiliza o carro e leva cerca de 15 minutos.
“Trabalhar em casa melhorou muito minha qualidade de vida, porque o tempo que eu passava no trânsito agora uso para pesquisar e ficar com minha família. Tudo fica menos corrido”, relata.
Por Rafael de Paula
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


