Na Fila: passageiros de Brazlândia para Plano Piloto reclamam de atrasos e longas esperas

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Na Rodoviária do Plano Piloto, usuários que seguem para Brazlândia, a 50 quilômetros de distância, o maior percurso dentro do DF, testemunham que as dificuldades começam antes mesmo do embarque.

Foto: Hyá Pires e Yasmin Fernandes/Agência de Notícias CEUB

A estudante de farmácia Maria Eloísa de Jesus Arruda Leal, de 21 anos, utiliza diariamente os ônibus até o local em que mora. Segundo ela, a viagem até o Plano Piloto pode durar duas horas, enquanto os atrasos na chegada dos veículos alcançam, em algumas ocasiões, aproximadamente uma hora.

“A linha 404 quebra o tempo todo. Aí eu pego o 420, quando ele chega na hora. Ontem, o de 10h30 chegou só às 23h30”, relata. A estudante também afirma que a oferta reduzida de horários interfere diretamente em sua rotina.

“Se eu depender de voltar depois de determinado horário, já desisto. Se eu sair para chegar às 10 horas, pode esquecer”, afirma.

Para quem depende diariamente dessas linhas, a espera não termina quando o ônibus chega: ela se prolonga durante um percurso que, de acordo com os relatos, pode se aproximar de quatro horas entre a ida e a volta.

Atrasos que afetam a rotina

Por medo de permanecer na Rodoviária durante a noite, ela costuma embarcar em frente à faculdade. No entanto, diz que os ônibus deixam de circular cedo, o que limita o tempo que pode permanecer fora de casa.

Para alguns passageiros, os problemas ultrapassam o desconforto da viagem. A cuidadora Stéfany, de 23 anos, conta que chegou quase duas horas atrasada ao trabalho depois que o ônibus que utilizava quebrou durante o percurso.

“Meu chefe achou ruim no começo, mas depois compreendeu porque realmente é difícil”, recorda

A estudante de psicologia Nicole Eduarda Pereira Dias, de 18 anos, também relata dificuldades para chegar às aulas no horário. Ela utiliza as linhas 400 e 420 desde o início do ano e calcula que o trajeto dure entre uma hora e meia e duas horas.

“A aula começa às 8h e, às vezes, a gente chega bem depois disso por causa da demora de Brazlândia para cá”, disse.

Nicole considera os ônibus antigos e desconfortáveis e reclama da falta de ar-condicionado, principalmente por se tratar de um percurso prolongado.

Lotação, calor e manutenção

Os problemas também são percebidos por quem trabalha dentro dos veículos. Uma cobradora entrevistada pela reportagem, que não teve o nome divulgado, apontou o calor e a lotação como dificuldades frequentes durante a jornada.

“Para Brazlândia, principalmente, os passageiros reclamam muito de ônibus quebrado e da manutenção”, afirma.

Segundo ela, o percurso entre a região central e o último ponto da linha pode durar entre uma hora e meia e uma hora e quarenta minutos.

Uma visão diferente

Motorista há 14 anos, Salvador*, de 53 anos, apresenta uma percepção diferente sobre o transporte coletivo do Distrito Federal. Para ele, a estrutura do sistema não é ruim quando comparada à de outras capitais. Ainda assim, reconhece que a situação de Brazlândia exige atenção.

“O governo deveria colocar mais ônibus porque o pessoal de Brazlândia é sofrido”, afirma.

Embora reconheça as dificuldades do percurso, Salvador considera exagerada parte das críticas feitas pelos usuários.

Ele afirma utilizar diariamente o transporte público entre o Riacho Fundo II e a região central. Salvador também avalia que a demanda por ônibus para Brazlândia é maior nos horários de pico, mas diminui nos demais períodos do dia.

Frequência e infraestrutura

Para o auditor fiscal de atividades urbanas, na especialidade de transportes, Arthur Morais, a qualidade do transporte coletivo depende de três elementos principais: frequência, regularidade e conforto.

Segundo ele, aumentar apenas a quantidade de veículos não é suficiente. Também é necessário garantir que as viagens ocorram nos horários programados e investir em infraestrutura capaz de reduzir o tempo dos deslocamentos.

“Você precisa ter mais frequência, regularidade e conforto. É preciso garantir que as viagens saiam nos horários programados”, explica.

O especialista aponta a ausência de uma faixa exclusiva entre Brazlândia e o Plano Piloto como uma das dificuldades do percurso. Para ele, a medida ajudaria a reduzir o tempo de viagem e tornaria o serviço mais previsível.

“A infraestrutura para melhorar o transporte por ônibus é a faixa exclusiva”, defende.

O especialista também destaca que a melhoria do sistema exige investimentos públicos em veículos, contratação e treinamento de trabalhadores, ampliação da frequência e concessão de subsídios. De acordo com ele, o valor pago pelos passageiros não seria suficiente, sozinho, para financiar uma expansão da frota.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal não respondeu os questionamentos da reportagem sobre o tema até o fechamento desta reportagem. O espaço está aberto para as manifestações do poder público.

Enquanto isso, os entrevistados têm esperança que os candidatos eleitos em outubro melhorem as condições desse transporte.

“Já foram pedidas diversas vezes melhorias nos ônibus e, até hoje, nada. A gente espera que, com as eleições, isso possa melhorar para o nosso lado”, afirma.

Por Yasmin Fernandes e Hyá Pires

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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