A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia reacendeu o temor de um incidente nuclear. A central de Zaporizhzhia, maior usina nuclear do mundo, localizada a Sudeste da Ucrânia, é hoje ocupada pelo exército russo. No local, estão instalados equipamentos bélicos, o que representa perigo de desastres radioativos. Neste mês, o desastre de Chernobyl completou 40 anos.
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A coordenadora do Greenpeace na Ucrânia, Polina Kolodiazhna, afirmou em palestra realizada no Centro Universitário de Brasília (Ceub), nesta semana, que a ocupação russa na usina de Zaporizhzhia representa um risco para a humanidade.
“As pessoas que hoje controlam a usina não têm capacidade de operá-la”, diz.
Confira onde ficam Zaporizhzhia e Chernobyl

Foto gerada por IA revisada por João Delattre
O encarregado de Negócios da Ucrânia no Brasil, Oleg Vlasenko, também no evento na faculdade, disse que a Rússia tem sido irresponsável ao utilizar a zona de exclusão de Chernobyl como rota para invadir a Ucrânia
“Eles cavaram trincheiras e levaram material radioativo em suas botas”, afirma
A representante da organização investigativa Truth Hounds, Oleksandra Delemenchuk, alertou para o avanço de uma campanha de desinformação que tenta atribuir à Ucrânia responsabilidade sobre ataques realizados contra a usina, numa narrativa que busca justificar esforços para retomar o controle das instalações.
Ela afirma que um drone russo atingiu intencionalmente a cobertura do Novo Confinamento Seguro (NSC) da usina de Chernobyl, construído em 2016, com a contribuição de 45 países, inclusive da Rússia. O ataque abriu um buraco de 15 metros na estrutura, provocou incêndio em seu interior e produziu fumaça por 3 meses
A cobertura perdeu o isolamento térmico e os altos níveis de radiação atrapalham a sua restauração. É necessário robôs para a reconstrução do isolamento dentro do sarcófago e se até 2030 não for reconstituída, a estrutura vai ruir
Zaporizhzhia e Chernobyl
Segundo as autoridades ucranianas os russos trouxeram de volta o conceito de cidades satélites para as regiões do entorno das usinas ocupadas, concentrando a moradia dos trabalhadores das usinas nessas cidades.
A administração ocupacional realizada pela estatal Rosatom é uma verdadeira infraestrutura da violência, executando torturas e coerção de funcionários das usinas que colaboram com a Ucrânia
Rússia diz que garante segurança
A porta-voz russa, Maria Zakharova afirmou, em agosto do ano passado à imprensa, durante a ofensiva da russia que tomou Chernobyl e Zaporizhzhia, que o controle das usinas buscava impedir supostas provocações nucleares da Ucrânia e evitar ações de grupos armados.
Segundo ela, especialistas russos e ucranianos monitoram as instalações e os níveis de radiação permanecem dentro da normalidade.
“A Rússia está fazendo todo o possível para garantir a segurança adequada dessas instalações”, garantiu.
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Por João Roberto Delattre
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


