Dificuldade de locomoção, artrite e diminuição da função renal são alguns dos problemas que o cão pode ter com o envelhecimento. A exemplo do que acontece com o labrador do filme “Marley & Eu”, pessoas que convivem com o bichinho durante parte da vida começam a perceber as dificuldades que os anos trazem para esses “membros da família”. “Infelizmente, minha cachorra morreu no início deste ano, com 12 anos. Foi muito triste não só pra mim, mas para todos da família”, afirma o professor de Educação Física, Keynne Medeiros, dono da rottweiler Ayra. “Nunca imaginei que iria chorar por causa de um animal”.

Em 2013, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) levantou que existem cerca de 132,4 milhões de animais domésticos no Brasil. Desse total, 52,2 milhões, ou seja, 39,4% são cães. A preferência se justifica pela tradicional fama de ser o melhor amigo do homem. “Sempre quis ter um cachorrinho, principalmente porque todos meus amigos também gostavam de cachorro e tinham um. Acho que eles são dóceis e carinhosos”, conta a designer de interiores, Vitória Lopes, dona do shitzu Lucky, de 2 anos.
Mas o animal também pode passar por problemas e dificuldades com o passar dos anos. Embora o cálculo da idade canina não tenha um multiplicador exato, sabe-se que eles amadurecem mais rápido que o humano. O tamanho (porte do animal) e a raça do cachorro também influenciam no envelhecimento. “Os cães de raças pequenas podem ser considerados idosos a partir dos 9 anos, já os cães de raças gigantes, aos 6 anos”, explica a médica veterinária Camilla Beccon.
Dados sobre as idades cães x homem
PRIMEIROS SINAIS
Quando a velhice chega, é preciso ter uma atenção especial no cuidado com o animal de estimação e não ignorar as possíveis mudanças, explicam os veterinários. Alguns sinais são mais visíveis. A disposição para brincar e até mesmo passear dos animais ficam menores, como relata a estudante Erica Costa, dona da “Nega”, de 12 anos. “Depois que a Nega ficou velha, ela ficou mais cansada. Antes, ela fugia muito de casa quando tirávamos o carro da garagem. Era preciso até segurá-la. Hoje, ela está mais quietinha”.
Érica e a cadela Nega . Crédito: Alex Peixoto
O aumento de peso é outro fator que pode ser percebido com o envelhecimento, principalmente pela pouca disposição para fazer atividades que antes eram comuns, como brincar. Os especialistas ainda afirmam que a diminuição energética pode chegar a 20%. Por conta disso é necessário controlar o ganho de peso, e já existem tipos de rações específicas para cada idade, que adequam os valores nutricionais e calóricos. Outros problemas que podem aparecer são dificuldade de locomoção; artrite; unhas mais frágeis; calos; mau hálito; incontinência urinária; diminuição da função renal; sensibilidade a variações de temperatura; dentre outros. Problemas na visão e na audição também podem ser notados. Foi o que o biólogo Leandro Cardim observou em Yougui, Lhasa Apso de 10 anos. “Quando passeávamos, ele às vezes batia a cabeça nas pilatras e muros. Foi aí que vimos que ele estava com catarata. Desde então, passamos o colírio que o veterinário indicou”.
Lhasa apso e Yougui no colo. Crédito: Alex Peixoto
CUIDADOS
A atenção e os cuidados com o cachorro devem ser redobrados, lembra a médica veterinária Camilla Beccon. “É preciso fazer um check-up anual ou semestral, dependendo da indicação do veterinário”.
Ficar atento a mudanças simples do animal é outro ponto fundamental de prevenção. “Qualquer alteração é importante e deve ser levada em consideração, principalmente por se tratar da terceira idade. Por exemplo, se o animal está comendo menos e a urina e as fezes estão diferentes, já existem motivos para levá-lo ao veterinário”, informa a médica veterinária Isabella Abritta.
O animal idoso deve ter uma alimentação diferenciada. A digestão e absorção dos alimentos são menores, assim é necessário adequar a ração com as reais necessidades dele. “A partir dos oito anos, já é bom procurar o alimento mais adequado, no caso os ‘sêniors’, que têm o teor de sódio e gordura mais controlados”, explica a veterinária.

As duas veterinárias concordam que os cachorros idosos devem realizar exames regulares de acordo com a necessidade, graças a uma maior fragilidade corporal e maior propensão a problemas de saúde.
FISIOTERAPIA E ACUPUNTURA
Existem tratamentos para melhorar a qualidade de vida dos cães, inclusive os que possuem uma idade mais avançadas. A fisioterapia e a acupuntura são duas das terapias mais procuradas e a combinação das duas técnicas é comum. Os preços dessas intervenções são em média de R$120 por sessão, mas podendo variar dependendo da necessidade do cachorro.
A fisioterapia pode prevenir a alteração da parte musculoesquelética e neurológica, além de melhorar a resistência física. Quando Lupi, labrador de 16 anos, passou a apresentar problemas de locomoção e hérnia de disco, seu dono Cleyber Trindade – também médico veterinário – resolveu procurar alternativas para melhorar a qualidade de vida dele. “Em uma noite, por conta de uma crise mais forte, o Lupi apareceu chorando e sem conseguir levantar. Levei prum ortopedista que constatou o problema de compressão na coluna”, relata Cleyber.
Além da fisioterapia, Lupi também foi submetido a sessões de acupuntura, outra terapia muito procurada para a recuperação de animais. O tratamento é feito com agulhas que restabelecem o fluxo de energia corporal, proporcionando alívio e redução da dor. “Quando vejo que ele está com mais dor, intensificamos a acupuntura, que age como um analgésico na coluna. Aliada à fisioterapia, ela ajuda a diminuir as dores”.
Fisioterapia e acupuntura
As atividades são regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), através da resolução número 850/2006, publicada no Diário Oficial da União. E conta que o médico veterinário é o único profissional capaz de fazer os procedimentos no animal. O que vai de acordo também com a Lei Federal 5517/1968, onde o tratamento animal é privativo do médico veterinário.
RESPEITE E CUIDE
Durante a terceira idade o cachorro fica mais frágil. Os especialistas advertem que é importante respeitar as dificuldades que surgirão e ficar atento a mudanças no animal, além de buscar informações. “Não abandone. Muitas pessoas não têm paciência com os cachorros idosos e, por conta disso, os abandonam. Eles nos acompanharam a vida toda e agora eles precisam da gente”, afirma Isabella Abritta.
Por Alex Akira Peixoto