O administrador do perfil nas redes sociais “Soluções Não-Monogâmicas”, Luis Moreira, de 35 anos, afirma que a data deveria ser ressignificada. Ele critica o apelo comercial sobre o tema. Para ele, o Dia dos Namorados reforça uma trajetória considerada ideal na cultura ocidental, centrada na ideia de encontrar alguém, namorar, noivar e casar.
“Para pessoas não-monogâmicas, isso pode gerar invisibilidade, já que outras formas de vínculo raramente recebem o mesmo reconhecimento”, observa.
A saída que Moreira propõe não é o boicote, mas a ressignificação, usando a data como ocasião para refletir sobre afeto e cuidado em relações que fogem do modelo tradicional. Segundo ele, a mídia e o mercado historicamente reproduzem um modelo centrado no casal heterossexual e monogâmico, e essa exclusão atinge especialmente comunidades LGBTQIA+ e pessoas neurodivergentes.
Para Moreira, garantir que pessoas com diferentes experiências afetivas sejam vistas e respeitadas não significa extinguir o Dia dos Namorados, mas transformar o que ele celebra. “É necessário que a sociedade comece a enxergar, respeitar e celebrar as diferentes formas de viver os afetos”, afirma.
“Saio com pessoas”
Uma estudante que se identificou como Mayara, de 18 anos, moradora de Samambaia (DF) diz que a data tem importância mesmo dentro da liberdade que escolheu. Mesmo tão jovem, ela se identifica como “não-monogâmica”. “Eu acho bem importante, mesmo tendo essa liberdade. Eu e meus parceiros também temos uma relação”, afirmou. Na prática, ela costuma aproveitar o dia “saindo com as pessoas” com quem está se relacionando.
Outro estudante que prefere se identificar como Lenny, também de 18 anos, de Brasília, tem postura oposta e diz que a data “passa batido” para ela. Ao ser questionado sobre propagandas alusivas à comemoração, a resposta foi igualmente direta. “Não tem nada a ver comigo”, escreveu.
Lenny associa sua visão de relacionamentos diretamente à crítica às imposições tradicionais. “Eu sinto e amo, mas também questiono os padrões impostos pelo patriarcado”, escreveu. Mayara, por sua vez, a define de forma mais prática, como uma filosofia em que a exclusividade afetiva e sexual não é exigida nem presumida.
Lenny queria que a comemoração celebrasse relações afetivas em qualquer quantidade, estado e estrutura, retirando o foco do “casal heterossexual” padrão nas propagandas.
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Por Luigi Oliveira
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


