Com a direção de Ryan White, a história retrata a vida e as lutas da poetisa Andrea Gibson e sua parceira Megan Falley.
“A felicidade se torna algo mais fácil de achar quando se descobre que não se tem mais uma vida inteira para isso.” — Andrea Gibson

“Embaixo da Luz Neon” aborda a trajetória de vida da poetisa Andrea Gibson e sua esposa, enquanto enfrentam um diagnóstico incurável. As duas embarcam numa exploração comovente e surpreendentemente humorística do amor, da mortalidade e dos momentos da vida.
Com uma sensibilidade única da direção, o documentário fala sobre as lutas que a poetisa enfrentou durante sua vida e o que ela gostaria de deixar para trás quando morrer. Com o apoio de amigos e, principalmente, da sua parceira no amor e no ofício, Meg, essa é uma jornada emocional e artística sobre a impermanência da vida.
Confira o trailer de “Embaixo da Luz Neon”
Trama
Após um diagnóstico de câncer de ovário, a vida das protagonistas muda drasticamente. Entre quimioterapia, histerectomia radical e a notícia de metástase com apenas dois anos de prognóstico, o casal desafia as expectativas médicas ao longo do filme.
Expectativas e incertezas sobre o futuro permeiam o enredo e cotidiano das duas, que frequentemente são interrompidas com nostalgias e memórias da vida, juventude e início de carreira do casal.
As mulheres falam da própria vida como ciclos de 3 semanas, o intervalo de tempo em que recebem os resultados dos exames que revelam se o câncer está ativo ou não.
No documentário, elas se reúnem embaixo de uma luz neon que fica em cima da cama de casal das duas e veem os resultados juntas. Episódios que inspiraram o nome do filme em português, apesar do significado do título na língua original (Come see me under a good light) ser mais emocional, com um sentido mais íntimo, de ver o lado positivo e sensível da situação enfrentada pelo casal, com esse tom franco que permeia as poesias da protagonista.
Entrevistas
As entrevistas não foram um dos pontos altos do filme. Apesar de entender que o objetivo principal era demonstrar a vida das duas a partir das próprias perspectivas, as personagens secundárias que aparecem não tiveram a chance de realmente se integrar ao resto do longa.
Entretanto, todos os personagens, mesmo não tendo grande apelo, descrevem como interferiram na vida do casal principal. Desde ex-namoradas até as enfermeiras do hospital, têm uma importância em demonstrar como a protagonista é uma pessoa genuína em como se comunica com o mundo ao seu redor.
Direção
Na montagem das cenas, o diretor opta por ir e voltar em episódios da vida das protagonistas por meio de entrevistas conduzidas de uma maneira intimista.
A maioria do filme segue em cenas em casa e no hospital, o que traduz bem o que se tornou a vida delas depois do diagnóstico. Os primeiros planos que são conduzidos entre Meg e Andrea passam o sentimento de que estamos dentro da casa e da situação real que decorre durante o filme.
Outro detalhe que merece atenção é a inserção das poesias durante o enredo e como essas poesias traduzem o contexto que se passa. Poemas como “Life Anthem e Tinture” são muito bem encaixados nos momentos que precisam e conseguem traduzir o lado artístico do sofrimento apresentado, junto com a esperança que é fixa durante todo o documentário.
A atriz e comediante Tig Notaro também ajuda a produzir esse filme que, contando com indicações prévias a outros prêmios grandes como o Emmy, também é amiga de longa data das duas personagens principais.
O documentário só entrou em circulação após a morte de Andrea Gibson, fato que não é tratado como central, tendo em foco apenas uma parcela da sua trajetória sem envolver o fim. Apesar disso, ela teve a chance de prestigiar o filme no festival de Sundance e teve a chance de ver como o mundo recebeu sua história antes de partir.
Ficha técnica
Título Original: Come See Me in the Good Light
Direção: Ryan White
Roteiro: Ryan White
Elenco principal: Megan Falley, Andrea Gibson e Tig Notaro
Gênero: Documentário
Duração: 1h44m
Classificação Indicativa: 14 anos
Por Laís Cornils
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


