Filme Era uma vez um Gênio destaca a contação de histórias

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A história tem uma protagonista principal: a contação de história. O ato de narrar está presente na humanidade, desde os primeiros registros e testemunha como a espécie sobreviveu.

No cenário contemporâneo, as formas de contar histórias se tornaram cada vez mais complexas e diversas. Nem sempre mediadas por seres humanos. Era uma vez um Gênio explora a relevância da narração de histórias para a sobrevivência da humanidade.

Assista ao trailer do filme

 

O longa-metragem foi baseado no conto Dijin in the Nightingale’s Eye de A. S. Byatt. O roteiro foi escrito por George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) e Augusta Gore.  Miller também realizou a direção do longa.

Enredo

A obra cinematográfica acompanha a Dra. Alithea Binnie (Tilda Swinton), uma solitária acadêmica, que viaja para Istambul para uma conferência. Durante a estada no país, ela visita uma loja e decide comprar um frasco azul. Após esfregar o frasco, um “dijin” (Idris Elba) — comumente conhecido no Ocidente como gênio — aparece e oferece a realização de três desejos. Alithea fica relutante em fazer os pedidos. Então o gênio decide lhe contar sobre seu passado para ajudá-la a decidir.

 

Aspectos Técnicos

O filme remete ao famoso livro de contos As Mil e Uma Noites, em razão da estrutura de seu roteiro, que também é dividido em contos e em suas escolhas estéticas. Por meio da utilização de cores vibrantes e intensas, cenários suntuosos e opulentos para retratar as histórias do passado do gênio. Era uma vez um Gênio também se inspira nas fábulas para criar uma atmosfera mágica e fantasiosa para encantar o espectador.

Devido aos múltiplos contos do gênio que são retratados, o filme apresenta romance, tensão e um pouco de comédia durante a sua progressão e a mudança de tom na maioria das vezes é bem executada. A trilha sonora é exitosa ao traduzir o clima de fantasia e encanto presente em todo o filme. Os efeitos visuais impactam o público, mas em algumas cenas não se explora o potencial.

As atuações de Tilda Swinton e Idris Elba, na pele dos personagens principais, mostram a competência dos atores. Contudo, apesar de seus esforços, o problema reside no roteiro que peca ao desenvolver o romance. A rapidez das situações não envolve o público como poderia.

O último ato que se concentra na história de amor de amor entre o gênio e Alithea acaba enfraquecido, dado que os contos do dijin mostrados anteriormente no longa são bem-sucedidos em transpor o teor de fascínio e magia. mas a parcela da história que se passa no tempo atual não é tão exitosa. No entanto, o final é coerente com o ritmo cíclico presente no filme e sua inspiração nas fábulas.

Fábula em 2022

O filme é assertivo ao mostrar que transmitir e contar histórias é uma ação que foi e continua sendo necessária e essencial para a manutenção da sociedade. As histórias foram utilizadas no passado para explicar as quatro estações, alertar os homens sobre perigos presentes na natureza e ajudar a traduzir e compreender sentimentos.

Com o avanço da ciência, aceleração do ritmo de vida e a constante presença de dispositivos eletrônicos no dia a dia como celulares e computadores, a aura mágica que rondava diversos aspectos da vida foi destruída. Em contrapartida, o longa mostra que é possível encontrar magia no cotidiano através do amor e que as histórias são um valioso instrumento para dar conforto e diminuir a solidão das pessoas no contexto atual.

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Por Letícia Terra*

Fotos e trailer: Divulgação/Paris Filmes

* A repórter assistiu o filme a convite da Espaço Z

Supervisão Luiz Claudio Ferreira

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