Kristen Bell e Adam Brody protagonizam uma série que revisita clichês do gênero com uma abordagem madura e contemporânea.

Quando os protagonistas de Veronica Mars (Kristen Bell) e The O.C: Um estranho no paraíso (Adam Brody) estrelam uma nova comédia romântica, os fãs nostálgicos já tem motivos o bastante para prestar atenção. Porém, a nova série da Netflix Ninguém Quer também conquista aqueles que não assistiram as produções dos anos 2000.
Confira o trailer:
A série rapidamente ganhou visibilidade não apenas por seu enredo, mas também pelo retorno de Adam Brody, que encantou uma geração há mais de 20 anos. Para muitos espectadores, ver Brody novamente em uma produção de sucesso traz um misto de nostalgia e curiosidade. Esse efeito nostálgico ajudou a atrair tanto os curiosos quanto os fãs das séries clássicas dos anos 2000, interessados em acompanhar o amadurecimento do ator e sua interpretação em um papel atual e mais maduro.
Enredo e inspiração
Na trama, acompanhamos Joanne (Bell), uma apresentadora de podcast sobre sexo e relacionamentos sem vínculos religiosos, e Noah (Brody), um rabino recém solteiro que leva a tradição judaica muito a sério, embora seja mais “aberto” do que seus companheiros de profissão.
Os dois se conhecem em uma festa e, rapidamente, uma atração mútua os aproxima. Em seu relacionamento, ambos se veem desafiados a entender e conversar sobre suas diferenças.
A série é inspirada na história de sua criadora Erin Foster e seu marido, o empresário judeu Simon Tikhman. Eles se conheceram em Los Angeles em 2018 e noivaram um ano depois, após a conversão dela ao judaísmo.
Revisitando Clichês com Maturidade
Inicialmente, Joanne e Noah ignoram as barreiras que suas crenças e objetivos de vida distintos podem gerar, aproveitando aquela paixão inicial.
Os conflitos reais começam a surgir quando Joanne conhece a família conservadora de Noah, e sua irmã Morgan (Justine Lupe) expressa suas reservas sobre o relacionamento. Os dois então se perguntam se o amor deles pode de fato ter futuro.

Embora a série pareça tentar se afastar dos clichês, a trama não chega a ser inédita. Em Sex and the City, por exemplo, a história de Charlotte (Kristin Davis) e seu segundo marido Harry (Evan Handler) também explora um relacionamento inter-religioso.
Diálogos
Ainda assim, Ninguém Quer foca no desenvolvimento dos conflitos, com diálogos abertos e honestos sobre sentimentos e inseguranças, fazendo com que o público se apaixone junto com os personagens.
Apesar dos elementos clássicos das comédias românticas, como uma ex tentando interferir, uma sogra manipuladora e mal-entendidos, todos são rapidamente resolvidos.
Aqui o relacionamento entre dois adultos é retratado de forma madura, sem infantilização ou falta de comunicação.

A trama se concentra em poucos personagens, o que permite que cada um seja bem explorado. Morgan, irmã de Joanne, funciona como um contraponto, trazendo reflexões importantes para a protagonista, enquanto Sasha (Timothy Simons), irmão de Noah, traz um ótimo alívio cômico.
Por mais que os dois funcionem muito bem individualmente, a relação que os dois constroem juntos consegue ser ainda melhor. Por mais que o tempo de tela não seja tanto, ele é bem aproveitado.
Todos os episódios estão disponíveis na Netflix e a segunda temporada já foi confirmada.
Por Maria Paula Meira
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira