O Açaí é um alimento que se popularizou na capital. O preparo de produtos com a fruta, que ganhou fama no Norte do país, foi adaptado pelo brasiliense. O acréscimo de frutas, xarope de guaraná e outros produtos para adoçá-lo faz com que se transforme numa verdadeira “bomba calórica” segundo nutricionistas. Além disso, em Brasília, geralmente, se come com leite em pó, granola, mel, leite condensado, entre outros. No Pará, a fruta acompanha peixes, por exemplo.
O professor de gastronomia Henrique Sausano descarta diferenças entre o açaí da capital e o comercializado no Pará. “O açaí vem de uma espécie de palmeira, que é uma planta da Amazônia. Ele é retirado, processado e mandado para cá. A essencial diferença entre um e outro é a maneira como se come”, comentou.
Ainda segundo ele, a cultura brasiliense deturpou um pouco a maneira como é servido no Norte do país e acabou introduzindo outros alimentos junto com o açaí. “A gente acaba transformando um alimento que é rico em nutrientes em uma bomba calórica e de açúcar”, alertou.
O açaí, de uma maneira geral, tem um gosto muito marcante. Em Belém é acompanhado de comida salgada, peixe, frutos do mar. No entanto, no Distrito Federal a população tem uma visão que seja mais voltada para o atleta. “Acho que todos os adicionais servem para atenuar um pouco o sabor marcante e tem a falsa impressão que você está adicionando energia para o seu corpo e, só com o açaí isso seria feito”, explicou Sausano.
A estudante Ana Clara Dias Vital, uma amante do açaí em Brasília, afirma que gosta de comer por causa do gosto doce e que prefere consumi-lo acompanhado de essência de guaraná, batido com banana, leite em pó, leite condensado e granola. Ela também diz que começou a comer por influência da família e que atualmente come no mínimo duas vezes por semana.
Valores nutricionais
O nutricionista André Luiz Andrade declara que comer açaí com grande frequência não é saudável. “O açaí consumido na capital cheio de complementos é mais calórico e maléfico que o açaí puro mais consumido no Pará”. Porém, segundo ele, nem só de malefícios é feito o produto. “O açaí é benéfico para o sistema imunológico, é antioxidante, fonte de vitamina, combate a osteoporose e a falta de ferro”, falou.
Segundo a nutricionista Camila Moura, a adição de xarope de guaraná altera a composição do açaí. “Como a gente faz uma adição de açúcar maior, a gente tem uma quantidade de calorias maior sendo ingeridas e perdemos um pouco do beneficio da função dos nutrientes que tem dentro do açaí”, disse. Ela ainda salienta a perda da principal função do alimento. “A gente come achando que tem um beneficio do açaí, da função antioxidante que o açaí tem, mas na verdade a gente está ingerindo açúcar simples. Ele se perde um pouco pela quantidade de açúcar que esta sendo consumido”.
Apesar da pasteurização, a legislação resguarda a semelhança dos benefícios do açaí. “Segundo a legislação, o máximo que pode acontecer é essa polpa passar por um processo de pasteurização. O que se espera é que ele tenha valores nutritivos semelhantes aquele que se comercializa localmente no Pará”.
A reportagem de Agência de Notícias UniCEUB consultou as nutricionistas Camila Moura e Grazielle Gonçalves, que desvendam os mistérios que cercam o fruto. Teste seus conhecimentos.
Por Gabriel Lima, Lorena Cabral e Samara Santos
Com supervisão de Luiz Cláudio Ferreira