Agricultores se unem para construir biblioteca em área rural do Pará

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Dos ideais de uma agricultora nasceu uma ideia que iria mudar a vida de uma comunidade. Lívia Nunes acredita na força da educação, por isso se uniu aos amigos para construir uma biblioteca comunitária “Chico Bento” na comunidade Cajual, área rural situada entre as cidades de Maracanã e Igarapé-Açu, no interior do Pará. Apesar das dificuldades, a comunidade entendeu que era necessário tentar combater o desinteresse pelas letras e o analfabetismo na região. O que antes era um terreno ao lado da floresta, aos poucos traz espaço a um reduto de estudo no nordeste paraense. Cada tijolo representa a força da comunidade que, juntos, decidiram dar um destino melhor para as crianças da região. O acervo inicial é de 100 livros que foram doados. O grupo de agricultores tem pedido apoio de cidades vizinhas para aumentar esse número.

 

Confira entrevista da agricultora

Hoje, 52 famílias vivem na comunidade que tem mais de 100 anos, porém a energia elétrica só chegou à localidade há pouco mais de seis meses, antes os moradores usavam velas, lamparinas e candeeiros. Uma antena rural possibilita que o sinal de internet chegue até a comunidade.  “Agora que nós estamos tendo acesso à energia, televisão e celular”. A falta de apoio do poder público é só um dos desafios que ela vem enfrentando. “Ainda estamos construindo, a comunidade apoia e ajuda a causa, mas ainda precisamos de ajuda para terminar”.

 

O planejamento começou há dois anos e, com o apoio dos moradores, ganhou força e saiu do papel. A biblioteca Chico Bento ainda não está funcionando. O trabalho é árduo, existem barreiras para serem vencidas. Para Lívia, a educação pode mudar a realidade das crianças que vivem na comunidade. “A educação é a base de tudo, primordial na vida do ser humano, sem ela é impossível saber que a cultura, esporte, arte fazem parte do cotidiano de cada um”, afirmou. Além dos agricultores locais e seus filhos, a biblioteca atenderá moradores de comunidades vizinhas.

A única escola da comunidade não tem sequer energia elétrica. Até agora, a prefeitura não se comprometeu a resolver alguns problemas pontuais na Escola Municipal Izabel Amaral Dias. Já foram enviados três ofícios à prefeitura de Maracanã, cidade responsável pela instituição, o documento solicita instalação elétrica, água encanada, cadeiras escolares e uma geladeira para armazenar alimentos, mas os pedidos não foram atendidos. A agricultora afirma que hoje a escola funciona com materiais que eles conseguiram através de doações.

Metas

De acordo com dados da Secretaria de Educação do Pará, Igarapé-Açu tem 13 escolas, que atende cerca de 5.200 alunos. Em Maracanã, são apenas duas escolas para atender pouco mais de mil alunos. Em 2017, o município não teve resultados divulgados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) porque o número de participantes na Prova Brasil foi insuficiente, ou seja, não atendeu os requisitos para ter o desempenho calculado. O programa foi criado em 2007 e tem como objetivo medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino. No Pará, a meta projetada para 2019 é de 4.7. A prefeitura de Maracanã não respondeu os nossos questionamentos até o fechamento da reportagem.

Por Flávio Lacerda

Imagens: Divulgação

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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