Na última semana, o Teatro de Sobradinho recebeu a terceira edição do festival Multicultural de Cinema Femucine. O evento foi gratuito e ofereceu quatro dias de mostras de curtas-metragens.
O evento recebeu turmas de jovens que estudam em escolas públicas da região. “Iniciativas como essa aumentam o acesso à cultura e incentivam o interesse pela arte nos jovens que, muitas vezes, não teriam essa oportunidade”, diz morador de Sobradinho, Lucaz Silva, de 18 anos.
Lucaz acredita que eventos assim trazem cultura e inclusão para a comunidade. “Um festival com tantos projetos legais coloca nos jovens que tem o sonho de se expressar através da arte a esperança de que podem viver disso”, afirma.
Gratuito e acessível
Uma das maiores contribuições do evento foi ser completamente gratuito. Para Bernardo de Oliveira, morador de Sobradinho, isso é fundamental.
“A arte no Brasil é muito elitizada. Muitas vezes, a gente precisa pagar para ir a um teatro ou ver uma peça, isso torna a arte inacessível para grande parte da população”, comenta em entrevista à Agência CEUB.
Curtas
“Pé de chinelo” foi um dos curtas que ganhou o prêmio de melhor filme na edição. Ele narra a história de um menino que quer estudar, porém a falta de um tênis o impede disso.
O filme, de Cátia Cardoso, discute a realidade de muitos jovens brasileiros que são diariamente afetados pela desigualdade social.
Ganhou também como melhor filme pelo júri popular o curta “Firmina”, que narra a história de uma pintora idosa que, ao se mudar para um novo apartamento, escuta gritos de socorro de sua vizinha e tenta ajudar, mesmo sem nenhum meio de comunicação e presa em casa.
Com a direção de Izah Neiva, o filme demonstra a luta e a sororidade de mulheres vítimas de feminicídio.
O Distrito Federal foi representado com o curta “ Nem tudo são rosas”, dirigido por Vinícius Pinheiro, que mostra entrevistas com jovens que contam por meio de histórias inspiradoras, suas lutas e reflexões contra as diferentes maneiras do racismo e preconceito.
Futuro
Bernardo De Oliveira, com 18 anos, é ativo no meio artístico e ressalta a importância de mais investimentos nesse meio cultural, não só de sobradinho, mas do país todo. “ Tem muita gente talentosa fazendo coisas incríveis e muitas vezes sem reconhecimento nenhum”.
O jovem também expressa sua felicidade em sobradinho estar ganhando mais visibilidade no mundo da arte. “ Enquanto eu crescia não tinha essa diversidade de eventos artísticos com produções independentes para mostrar que eu podia fazer igual. Hoje em dia isso com certeza vai inspirar muitos jovens que amam audiovisual como eu sempre fui”, afirma.
Lucaz concorda, “ A arte é um poder que conecta todas as pessoas. E quando se tem acesso à arte, as portas se abrem. é fundamental que eventos como o FEMUCINE continuem acontecendo em Sobradinho, porque, com certeza, ele inspirou muitos jovens a seguir a arte como profissão e forma de expressão.
Por Catherine Machado
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira