
O hábito da leitura traz benefícios para o aprendizado do ser humano, como o conhecimento amplo de culturas, vocabulário rico, capacidade de imaginação e a possibilidade de criar histórias. Desde 2009, 12 de outubro é também o Dia Nacional da Leitura. Em meio às tecnologias, para muitos a leitura ainda é uma opção de lazer e entretenimento. Por isso, muitos grupos incentivam a prática.
A advogada Ana Carolina Gimenez, 34 anos, é fundadora de um grupo de leitura feminino pelo aplicativo WhatsApp. As integrantes fazem encontros mensais. O objetivo é comentar o livro que foi lido, fazer novas amizades e escolher a obra do mês seguinte.
Ana Carolina escolheu criar o grupo para ter amigas com interesses em comum, já que a maternidade faz com que encontros antigos sejam menos frequentes. “Eu pensei em criar o grupo para conhecer pessoas interessadas no mesmo hobby que o meu, hoje em dia o hábito de ler livros é raro”, contou.
O grupo possui moradoras de diversos lugares do Distrito Federal, algumas delas recém chegadas ao DF e que encontraram, no clube, amizades. As participantes são advogadas, médicas, professoras, funcionárias públicas, donas de casa, terapeutas ocupacionais e dentistas.
Na visão delas, a leitura amplia o leque literário e aproxima as pessoas. Além disso, as amizades estimulam a leitura e, consequentemente, enriquecem o conhecimento. “Não são só as histórias dos livros que me fazem refletir, mas a oportunidade de conhecer pessoas tão diferentes que têm o prazer da leitura em comum”, explicou a funcionária pública Kelly Helaine Neves de Souza, 44 anos.
De acordo com a pesquisa de 2016 do Ibope, 44% da população brasileira não leem e 67% não foram incentivadas por ninguém a ler. A maior justificativa dos não-leitores é a falta de tempo. Além disso, a maior parte das pessoas que contemplam livros é de mulheres. Por isso, para 33% dos leitores, a pessoa que os influenciou a ler foi a mãe ou alguém do sexo feminino. Entre os homens, 52% deles são leitores.
Troca de experiência
O agente de correios Diego Amaral Batista, 27 anos, é o criador do grupo de leitura chamado Clube do Livro DF, o qual tem mais de 10 mil curtidas no Facebook. O projeto, criado em 2011, tem a participação fixa de 61 pessoas, mas nos grandes encontros o público chega a mais de 200 pessoas.
A iniciativa traz dois tipos de eventos: as palestras temáticas no auditório de uma livraria, no shopping Casa Park, onde comentam a respeito das obras, fazem atividades e sorteios para a interação; e atividades em que os participantes atuam como as personagens literárias. Os eventos são gratuitos, exceto os que incluem buffet, música e os acampamentos.
“Eu acho que os leitores são muito reclusos. Normalmente, eles são aqueles taxados de nerds que sofrem muito bullying. Não é um bom incentivo social. Então, quando uma pessoa assim encontra um mundo como o nosso, onde todos são como ele, onde é mais popular quem tem mais conhecimento de um livro ou quem leu mais, ele se sente no paraíso”, contou Diego.
Julia Fagundes
Sob supervisão de Isa Stacciarini