O trio de músicos de rua “Gravitante”, que tocava nas ruas na Asa Norte, ampliou seus horizontes e foi mostrar o som em Genebra, na Suíça. Com apenas um violão, um violino e uma percussão em sua formação, o grupo trabalha a simplicidade em suas músicas e a aproximação do público em suas apresentações. A ideia principal é fazer “música arte” e fugir um pouco do lado comercial que o mercado musical exige. “Eu valorizo muito essa coisa de sairmos um pouco da parte comercial e caminhar mais para a parte da arte”, afirmou o percussionista do grupo, Matheus Aguiar. Com a viagem paga unicamente com o dinheiro levantado em pequenas apresentações nos arredores dos bares da Asa Norte, o grupo levou simplicidade e arte para as ruas da cidade europeia durante um mês.
Confira vídeo da apresentação do grupo:
Formado pelo violonista Milton Leite Tosta (Tararau), pelo violinista Antônio Suassuna (Tom) e pelo percussionista Matheus Aguiar, o grupo caminha por bares da Asa Norte no turno da noite para entregar a sua música para as pessoas que frequentam esses lugares e que contribuem com quantias em dinheiro. Segundo Matheus, a ideia é fazer apresentações próximas do público com maior interação cultivando uma relação carismática com os ouvintes. “Nós somos amigos de todo mundo e a gente quer passar uma coisa boa para todo mundo”, afirmou.
Tararau garante a renda com a venda de incensos nos bares de Brasília. Foi assim que ele entrou conheceu o violinista que se interessou pelas músicas de Tararau e resolveu aceitar o convite e adentrar ao projeto trazendo junto com ele o percussionista, Matheus. A ideia de tocar na rua veio inicialmente do próprio Tararau que já havia tido boas experiências como músico de rua dentro e fora do país. Foi assim que o grupo levantou dinheiro para tentar a sorte na Europa. “Eu percebi que tocando na rua já poderia viver de música e ganhando o suficiente”, afirmou o músico.
Música de rua na Suíça
Para ser músico de rua em Genebra, há toda uma regulamentação. Segundo Matheus Aguiar, é necessário tirar uma carteira de músico e uma patente que autoriza apresentações periódicas em determinadas praças. Segundo ele, isso regulariza a profissão de músico de rua e até gera uma concorrência, o que move esse mercado o fazendo ser rentável. “Isso regulariza uma coisa (música de rua) que aqui nunca seria regularizado”, disse o percussionista.
Ser músico de rua para o Matheus é criar um vínculo com a própria rua e com as pessoas com quem se entra em contato. Troca de experiências entre músicos e revezamento de praças é algo normal e esperado na Suíça. “A gente cria uma amizade e um vínculo com a galera da rua. Teve uma vez que veio um músico com um acordeom que tocou com a gente e depois assumiu o nosso local. Tem uma amizade entre as pessoas”.
A viagem
Para eles, foi uma experiência de aprendizado incrível. Com uma rotina minimamente planejada, eles tiveram que lidar com as situações de forma improvisada. Segundo Tom, a rotina deles era tocar e levantar dinheiro para se manter. Acampados em uma república de estudantes, eles criaram diversas amizades e receberam várias dicas dos próprios universitários para conseguir comida e garantir o sustento deles em Genebra. “Às vezes é bom não ter muita certeza das coisas e deixar acontecer. A gente ganha uma percepção de que nada que a gente faz é certo. E isso é bom porque a gente está tão acostumado a viver achando que tem controle sobre tudo. É bom passar por isso”.
Silêncio
A lei do silêncio em Brasília prejudica os músicos de rua. Bares e restaurantes vetam a ação dos músicos após às 22h. Sendo assim, o grupo preparou uma logística separando os restaurantes e bares que respeitam a norma. Nesses lugares, eles fazem suas apresentações até às 22 horas e depois se encaminham para outros lugares que não são tão rígidos.
Por Bruno Santa Rita


