Dia do artista de teatro: atores reclamam de falta de espaço na cena brasiliense

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Plínio critica a valorização à arte que vem de fora
Plínio critica a valorização à arte que vem de fora

Marcado como o “Dia do artista de teatro”, 19 de agosto seria uma data para comemorações de profissionais da dramaturgia, no entanto, o momento na capital do país tem sido de mais preocupação do que de festa. Profissionais alegam que faltam palcos e incentivo. As dificuldades que atores enfrentam com o mercado teatral fizeram com que profissionais da área migrassem também para escolas a fim de complementar a renda e como forma de evitar o desemprego. Atores reconhecidos como Josuel Júnior, Maurício Witczack e Plínio José Borges Mósca foram entrevistados pela Agência de Notícias UniCEUB para comentar a situação do profissional no Distrito Federal.

“Somos operários de trabalho dessa fábrica e fazer arte sempre foi sinônimo de muito, muito trabalho, suor e comprometimento. Há mercado e sempre existirá, o que acontece é quando o ator não aproveita o momento” explica Josuel Júnior, de 30 anos. Ele está nos palcos há mais de 15 e atualmente participa de uma peça chamada “Peter Pan para os já crescidos”.

Josuel conta que escolheu ser ator porque se encantava com as telenovelas brasileiras, as obras de Agnaldo Silva, por exemplo, sempre mexeram com seu imaginário. Novelas como “Tieta” e “Roque Santeiro” utilizavam de um realismo fantástico por isso o entusiasmo com a dramaturgia. “Obviamente fui crescendo e tendo mais contato com a arte por meio de oficinas de teatro e circo na cidade de Samambaia” explica o ator que apenas aos 14 anos teve contato com a arte.

Formado na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, ele teve como referência um método mais tradicional do teatro, com muito respeito ao palco e a função do ator. Personagens fundamentais nessa formação, os diretores e professores Hugo Rodas e Tullio Guimarães serviram de inspiração e contribuíram para o crescimento do artista. “Tentei trazer o melhor de cada um para que um dia eu também saiba que tenho uma linha de trabalho de pesquisa em minha atuação”.

Josuel Junior: "Precisa suor e comprometimento"
Josuel Junior: “Precisa suor e comprometimento”

Apego

O encontro do ator e também professor Maurício Witczack com o teatro foi por meio da literatura e dos poemas. “Queria levar aos palcos os poemas que escrevia, foi o que me conduziu ao teatro, nunca mais parei” conta o artista. Segundo o professor, a produção cultural em Brasília é abundante e diversificada, entretanto a formação de plateia é escassa. “O público brasiliense não tem muito apego aos artistas locais’’ relata o ator. Outra reclamação é o pouco investimento privado que deixam os artistas fora do mercado de trabalho ‘’é necessário aumentar os incentivos, patrocínios, eventos e prêmios que valorizem os artistas locais e estimulem o público a consumir a nossa produção’’.

Mauricio
Maurício: formação de plateia é escassa

Apesar da situação atual, Maurício nunca pensou em desistir da carreira de ator e, por um retorno financeiro mais estável, o artista mantém o emprego de professor paralelamente. “Viver só de arte na capital federal é uma missão quase impossível”, desabafa o professor.

Por conta da falta de investimento, o teatro cresceu depois de muita dedicação. Plínio José Borges Mósca, 56 anos, se considera brasiliense, pois mora na capital desde o mesmo ano em que nasceu. Estudou na Faculdade de Artes da Fundação Brasileira de Teatro no DF e depois foi para a França cursar Direção Teatral. Ele critica o pensamento provinciano, do suburbano para a metrópole, dizendo que precisamos mudar de mentalidade.  “Hoje em dia vejo que esse pensamento da exaltação do que vem de fora, também é muito forte em vários outros estados do Brasil, que se encontram fora do eixo Rio-São Paulo”.

Plínio reforça que falta uma verdadeira política pública de cultura no DF, que apoie os produtores e artistas que abrem seus próprios espaços teatrais. Ele afirma que o teatro brasiliense é persistente e esperançoso, mesmo sofrendo consequências econômicas, pois acreditam na importância desse cenário e muitos atores só precisam da oportunidade certa.

 

Por Fernanda Suassuna, Henrique Kotnick e Elisa Costa

Fotos: Divulgação e Domínio Público (imagem da capa)

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