A pauta LGBT e de outras minorias ganhou voz na figura do deputado federal Jean Wyllys, atualmente no segundo mandato legislativo, que teve sua trajetória política narrada no filme “Entre os Homens de Bem”, que estreou no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Durante três anos de produção, os diretores Caio Cavechini e Carlos Juliano acompanharam o congressista para elaborar e realizar o documentário.
A trama aborda os conflitos que Jean travou com outros parlamentares e traz duas histórias que se intercalam; a política e a passagem do então professor pelo programa da TV Globo Big Brother Brasil (BBB), no ano de 2005. Na ocasião, ele foi o vencedor da edição e a imagem do parlamentar foi exposta para o Brasil pela primeira vez. O filme é uma produção independente e captou cerca de R$ 130 mil oriundos de crowdfunding.
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Os “homens de bem”, que está no título do filme, eram como se auto denominavam os deputados considerados mais conservadores. Eles defendem a “família ideal” e se amparam em uma visão da Bíblia mais radical, criminalizam portanto, outros conceitos de família. As ideias propagadas por esses parlamentares são contrapostas por Jean Wyllys que defende valores em favor dos direitos humanos. “Nós que defendemos um mundo justo e de inclusão, somos os (considerados) homens de mal”, explica.

Entre as cenas escolhidas para o filme, estão embates do deputado com o pastor Marco Feliciano (PSC-RJ), que assumiu em 2013 a presidência da Comissão dos DIreitos Humanos da Câmara Federal. Em entrevista coletiva depois do filme, o deputado explicou que não é fácil lidar com os adversários políticos, “especialmente” no momento atual, já que, para ele, a democracia sofre ataques constantemente. “Viver lá (Câmara), não é o melhor dos mundos, ainda mais quando os conservadores se tornaram maioria política nesse país. Eles chegaram a aplicaram um golpe neste país”, lamenta.
Segundo o diretor Caio Cavechini, a obra cinematográfica foi custeada por recursos próprios e provenientes de arrecadação via internet. Foi pedido por meio de crowdfunding, R$ 120 mil, contudo a captação chegou a aproximadamente R$ 130 mil. O diretor esclarece que tentou “sair da bolha” para evitar que a produção fosse uma publicidade ao legislador.
Figuras públicas como Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e o pastor Silas Malafaia foram vaiados intensamente ao aparecer na telona durante a exibição no Festival de Cinema de Brasília. Ao término, o público chegou a aplaudir de pé e ecoaram gritos de “me representa”.
Questionado se havia visto as filmagens antes da estreia na última sexta-feira (23), Jean Wyllys negou e afirmou que não teve nem a preocupação de mudar suas atitudes em virtude da produção. “Eu sou o que sou e ponto”.
Por: Lucas Valença


