Piadas que eram aceitas há 30 anos passaram a ser repudiadas em nome da compreensão que poderiam expressar violências simbólicas. Na avaliação do ator e comediante Marco Luque, um olhar mais crítico sobre o humor é saudável.
“Eu acredito que o humor tem que evoluir junto com a sociedade. Temos que progredir junto com com a época. Eu vejo isso de forma superpositiva”, afirma.
O ator revela que sua maior preocupação no meio da atuação é não achar graça nas próprias histórias. Para ele, se o texto criado não o faz sentir que está engraçado, ele costuma não levá-lo para o público.
Um outro ponto em que Marco Luque pensa para seus shows é passar uma mensagem nas histórias que conta. “Eu acho que só fazer rir é muito legal, mas se, nas entrelinhas, você ainda passar uma mensagem, eu acho que cumpri a missão.”
Além do riso imediato
Ele explicou como transforma a observação do cotidiano em personagens marcantes e destacou que o verdadeiro humor não se limita ao riso imediato mas carrega, nas entrelinhas, uma mensagem para o público.

Em turnê com seu novo show “É disso que eu estou falando”, o ator passou por Brasília e também participou de uma conversa sobre humor e criatividade na Bienal Internacional do Livro de Brasília, onde o tema foi “Ler o Amanhã”.
Carreira
Marco Luque foi apresentador do programa “Custe o Que Custar”, da Rede Bandeirantes, e em “O Formigueiro” além de fazer participações nos programas “Vai que Cola” e “ Escolinha do Professor Raimundo”.
Alguns dos seus personagens mais conhecidos pelo público são o motoboy paulistano Jackson Faive, o hippie Mustafary, a diarista Mary Help e seu primeiro intérprete foi um taxista malandro chamado Silas Simplesmente.
O ator relata que para criar seus personagens ele primeiro avalia o que o seu corpo oferece, como trejeitos e tipo de voz, e depois estrutura qual será a personalidade deles.
“Eu sei que muitos atores criam primeiro o texto e depois encaixam em algum personagem. Eu costumo fazer o contrário”.
Inspirações
Quando perguntado sobre o que o inspira para fazer shows e criar os personagens, Marco Luque revelou que é inspirado principalmente pela sua vida e as pessoas ao seu redor.
“Eu adoro pessoas e reparo muito nelas. Gosto de ver pessoas que têm características marcantes, que fazem com que eu consiga juntar essas características e formar um personagem de relevância. Acho que esse é o meu combustível”, diz o humorista.
Dos palcos para as telas
Ao longo dos anos, a maneira como as pessoas vêem o humor está mudando cada vez mais. Assuntos que eram engraçados e usados como chacota há poucos anos, hoje são vistas como falas com teor preconceituoso e até mesmo ofensivos e isso é refletido tanto no stand up quanto na televisão.
Na visão do comediante, essa mudança é algo positivo pois, nos dias atuais, as minorias têm mais espaço e as pessoas têm mais liberdade e tranquilidade para ser quem elas são, sem serem piada por isso.
A respeito da diferença entre um show ao vivo no teatro e os trabalhos na televisão, Marco Luque diz que prefere os palcos principalmente pela resposta instantânea que o público proporciona.
O artista expressa que em um set de televisão, o humor é feito para uma câmera e, por mais que tenha a produção por trás, não é a mesma energia.
“A plateia tem a sinceridade de uma criança de 4 anos. Se acha muito legal, é engraçado, se acha muito legal, aplaude e se não achou graça, fica quietinha. É por isso que prefiro muito mais fazer teatro.”
Lembrando das suas experiências no CQC, o humorista revela que grande parte do programa era roteirizado. De acordo com ele, fazer humor para a televisão tem um ritmo muito mais acelerado pois eles tem um tempo a ser cumprido, e nos palcos a história acontece de uma maneira mais devagar.
“Na televisão, se você breca no silêncio, você dá chance das pessoas trocarem de canal. Então o lance é a gente entender o time e utilizar do roteiro aprovado para parecer improviso.”
Por Beatriz Ribas e Maria Eduarda Barros
Supervisão de Luiz Cláudio Ferreira


