Em 2006, um grupo de amigos, com saudade do vibrante Carnaval de Recife, se perguntou por que não trazer a energia daquela festa para Brasília. O bloco se apresentou no dia 22 e abriu a folia de Momo em Brasília
Foi dessa motivação que nasceu o Suvaco da Asa, um bloco que, ao longo dos anos, se tornou uma verdadeira celebração à cultura nordestina na capital federal.
A festa passou a reunir foliões de todas as partes, com mistura de ritmos, tradição e alegria única do Carnaval.
Festa de amigos
Ao contrário do que muitos imaginam, o Suvaco da Asa não foi criado por recifenses.
Segundo o diretor do bloco, Pablo Feitosa, o grupo foi formado por amigos de Minas Gerais, São Paulo e Brasília. A maior parte dos fundadores morava na capital federal.
O nome do bloco surgiu da própria vivência dos amigos, que viviam nas regiões do Sudoeste e do Cruzeiro, localizadas no oeste da Asa Sul, o que significou para eles o “Suvaco da Asa”.
Primeiros encontros
Na primeira edição do Suvaco da Asa, há 19 anos atrás, cerca de 100 pessoas amantes do frevo se uniram para comemorar o carnaval perto de casa.
O sucesso foi tão grande que, no ano seguinte, o bloco inovou ao trazer a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, um dos maiores ícones do carnaval pernambucano, cerca de mais de 1.000 foliões pelas ruas da capital foram arrastadas.
Foto: Suvaco da Asa
Com o passar dos anos, o bloco conquistou cada vez mais espaço, e sua proposta foi além de reproduzir a festa de Recife. O Suvaco da Asa passou a ser uma homenagem à cultura nordestina, que une elementos da música e das tradições de Pernambuco em Brasília.
“O Nordeste, berço do frevo, maracatu, coco e tantas outras manifestações culturais, é um dos pilares da festa. O frevo, com sua energia contagiante, e o maracatu, com seu peso histórico e suas danças emblemáticas irão invadir as ruas de Brasília. Do outro lado, o Norte ecoa com a força do carimbó, boi-bumbá e outros ritmos amazônicos, trazendo a energia vibrante da floresta para o carnaval. Vai ser uma festa cultural e carnavalesca”, comenta Pablo Feitosa, diretor do Suvaco da Asa.
Permanência
Além disso, com o passar dos anos, o Suvaco da Asa continuou atraindo o público brasiliense, ao ponto de precisar sair da região residencial onde nasceu. A mudança, embora desafiadora, foi necessária, já que o bloco atingiu uma proporção tão grande que não poderia mais permanecer em ruas residenciais.
“Foi um parto. Pra gente tirar o bloco de lá, mas realmente ele tava com uma proporção muito grande para permanecer na região”, afirma Pablo Feitosa.
Em 2016, o bloco se distribuiu na área central de Brasília, e desde então tem expandido ainda mais sua presença.
Segundo Pablo, o Suvaco da Asa tem como certeza fortalecer a cultura local, pois acredita que uma cultura só se torna forte quando há um incentivo ao artista da região. “O bloco tem por verdade que a gente só vai fazer uma cultura forte se a gente fortalecer o artista local.”
Valorização
Ao destacar a importância de valorizar o Carnaval de Brasília, Pablo Feitosa afirma acreditar que, apesar de já ter se consolidado nos últimos anos, a festa ainda busca seu espaço no imaginário popular, muitas vezes ofuscado por grandes festas de outras cidades como Salvador, Recife e Rio de Janeiro.
Para ele, o Carnaval de Brasília tem uma essência única e deve ser curtido.
Além disso, em suas palavras, Feitosa reforça que a cidade já possui um Carnaval legítimo e autêntico, com blocos que celebram as mais variadas tradições e expressões culturais, por isso é fundamental dar visibilidade e apoio ao talento local.
O Suvaco da Asa, desde sua criação, foi concebido com essa missão: promover uma festa que unisse a alegria do povo brasiliense e, ao mesmo tempo, desse um gostinho de Recife.
Foto: Suvaco da Asa
Por Nathália Maciel
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira