Diagnóstico precoce para esclerose múltipla pode ser eficaz para tratamento, mas sintomas são iguais aos de outras doenças

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A jornalista Raíssa Saraiva, de 34 anos, recebeu, em 2014, o diagnóstico da esclerose múltipla com surpresa, como um “susto”, como define.

Ela explica que, desde o surgimento dos sintomas, o apoio nos ambientes pessoais e profissionais foi essencial para continuar a vida. Ela indica que o momento do diagnóstico definitivo não incapacita a pessoa.

Congresso homenageia pacientes com esclerose. Foto: Agência Senaado

“A gente pode ficar sofrendo por não conseguir fazer alguma coisa, ou a gente pode se adaptar para fazer o melhor que a gente pode.”

A doença afeta mais de 40 mil brasileiros. Segundo especialistas, o diagnóstico precoce pode ser importante para o tratamento. O problema é que os sintomas são semelhantes aos de outra doença. A jornalista Raíssa Saraiva recorda que teve sinais da esclerose pelo menos dois anos antes do diagnóstico.

“Quando eu fui diagnosticada, a gente leva um ‘baque’ né? Mas é um baque que é totalmente possível de ser vivido, de ser conversado e de levar a trajetória adiante.”

Ela finaliza enfatizando que ter um dia da conscientização da esclerose múltipla (30 de agosto) é extremamente importante. Trata-se do momento em que as pessoas estão dispostas a ouvir falar na doença.

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“A gente aproveita todo esse momento de conscientização, quando as pessoas estão atentas, quando as pessoas estão afim de ouvir para levar pro resto do ano.”

Sobre a esclerose

Segundo o neurologista Alexandre Guerreiro, a esclerose múltipla é uma doença inflamatória, crônica e autoimune, que afeta o sistema nervoso central.

Nessa condição, o próprio sistema imune, responsável por proteger o organismo de agentes externos, ataca a bainha de mielina, a camada protetora dos nervos, causando falhas na comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.

Saiba mais sobre a doença

Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla, estima-se que existam 40 mil casos da doença no Brasil. Desses, 85% dos pacientes são mulheres jovens e brancas, com idade entre 18 e 30 anos.

Sintomas da esclerose

Segundo o neurologista Alexandre Guerreiro, é comum que os sintomas da esclerose múltipla sejam confundidos com os de outras doenças.

O paciente pode sentir desequilíbrio, dormência gradual em um dos lados do corpo ou perda da sensibilidade.

Tais sintomas podem não melhorar, estabilizar, voltar ao normal ou até mesmo deixar sequelas, o que leva a confusões com quadros de estresse, ansiedade, um AVC ou até mesmo problemas de coluna.

“Às vezes, a pessoa acha que é um problema oftalmológico. Vai ao oftalmologista, faz os exames e está tudo normal, mas não está enxergando com um dos olhos”, exemplifica o especialista.

Alguns dos sintomas mais comuns da esclerose incluem:

  • Fraqueza muscular em um ou mais membros
  • Tremores ou espasmos involuntários
  • Visão dupla ou borrada
  • Dificuldade de equilíbrio e coordenação
  • Alterações de memória e concentração
  • Fadiga intensa e persistente
  • Alterações na fala ou no controle facial

A característica mais importante desses sintomas é que eles não surgem de forma súbita.

Geralmente, começam dentro de alguns dias, atingem o máximo de intensidade em duas a quatro semanas e depois melhoram espontaneamente. Esse processo é chamado de crise ou surto.

O especialista explica que, em 85% dos casos, a doença é remitente-recorrente, que se caracteriza por momentos de pico que duram pelo menos mais de um dia e depois são estabilizados.

Fatores de risco

Apesar de a ciência ainda não ter uma resposta definitiva sobre a causa da esclerose múltipla, as hipóteses atuais indicam que a doença é causada pela combinação de predisposição genética com fatores ambientais que agem como “gatilhos”.

Entre esses fatores, destacam-se: infecções virais, exposição à luz solar, cigarro e obesidade.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico deve ser realizado por um neurologista, por meio da investigação do histórico de sintomas do paciente, junto com exames físicos e laboratoriais que permitem descartar outras patologias semelhantes.

Embora não tenha cura,a identificação precoce da doença permite que o tratamento seja bastante eficaz, aumentando significativamente as chances de retardar a sua progressão e preservar as funções motoras e cognitivas do paciente.

O tratamento também ajuda a reduzir a frequência e a gravidade das crises, a gerenciar os sintomas e a garantir uma recuperação mais rápida.

“O tratamento precoce, sem dúvida, é o essencial da doença”, afirma o neurologista. Ele explica que, ao se deparar com uma condição que pode gerar sequelas irreversíveis, o ideal é não hesitar e buscar o tratamento imediatamente.

Por Lucas Alarcão, Maria Júlia Andrade e Maria Isabel Gameiro

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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