Em situação de rua no Lago Norte, desempregada diz que não tem acesso a absorvente

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Mesmo com programa federal de distribuição de absorventes para pessoas em vulnerabilidade, via Farmácia Popular, grupos mais vulneráveis ainda têm dificuldades de acessar o benefício.

Uma dessas pessoas é a desempregada Daiane Francisca dos Santos, aos 38 anos, que costuma dormir em rua no Lago Norte.

Ela diz que enfrenta dificuldades ao lidar com sua menstruação enquanto vive em situação de rua. Ela relata que não consegue manter a higienização adequada e, nesse período, a situação se intensifica, colocando-a em risco de infecções e irritações graves.

“Casa”

O acesso ao banheiro, ela explica, tem muitos empecilhos. Por isso, às margens do Lago Paranoá, além de servirem como sua casa, tornaram-se o local de mais fácil acesso para realizar a higienização.

Banheiro é muito difícil de ter acesso porque aqui o pessoal não deixa muito a gente usar. Por isso, ficamos na beira do lago, que ajuda um pouco, pois de manhã cedo não tem muitas pessoas, o que facilita a higienização.”

A dor do ciclo menstrual e a indisposição são os desafios mais frequentes de Daiane ao lidar com sua menstruação. Os remédios para cólica ela também não tem acesso. Assim, ela enfrenta dores fortes durante todo o ciclo, mensalmente.

Em relação ao acesso aos absorventes, ela relata que ha pessoas que ajudam e que, sempre que tem dinheiro, compra para não ficar sem.

No entanto, em situações emergenciais, já sofreu com a falta desse item e precisou recorrer a panos ou papel higiênico. Ainda assim, ressalta que, na maioria das vezes, procura se prevenir.

“A gente que vive na rua tem que se prevenir de tudo.”

Acesso Gratuito 

Sobre o acesso gratuito de absorventes distribuídos pelo governo, existe o programa Farmácia Popular, na qual é possível conseguir absorventes e remédios de graça tendo a renda menor ou até R$218.

Porém, para conseguir a retirada desses produtos, a pessoa tem que ser inscrito no CadÚnico e emitir a autorização pelo SUS digital, o que acaba sendo um grande problema para essa parte da população que não tem familiaridade com dispositivos digitais ou até mesmo suas próprias documentações.

Lei do DF

Em março de 2024, no Distrito Federal, foi criada a lei 7.423 que por meio dos Centros de Referência Especializada para População em Situação de Rua (Centro POP) e do Serviço de Abordagem Social, os absorventes são disponibilizados de forma gratuita para toda a população das ruas.

Contudo, o grande empecilho desta lei é a regulamentação e implementação prática, que atualmente não é muito bem desenvolvida. O que afeta diretamente na vida de mulheres na mesma situação de Daiane, devido a questões burocráticas, falta de informação e má aplicação das políticas públicas.

Não apenas as mulheres em situação de rua, mas estudos apontam que, no Brasil, 713 mil meninas não tem acesso a banheiro ou chuveiro em casa e mais de 4 milhões não tem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais.

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Por: Nathaly Ferreira, Catherine Machado e Maria Eduarda Medina.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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