
O chefe da comunicação social da Marinha, o Vice-Almirante Vagner Belarmino, disse, nesta semana em palestra, que a reputação da instituição é um patrimônio e precisa ser preservada.
“Quando as pessoas não te conhecem profundamente, basta muito pouca coisa para derrubarem e destruir a sua reputação”, disse o militar.
Ele, que é diretor do Centro de Comunicação Estratégica da Marinha do Brasil (MB), recordou uma pesquisa feita pela FGV em 2015.
Ela revela que 92% da população confia na Marinha, mas apenas 14% estão de fato cientes sobre suas atividades.
De acordo com o diretor, em outubro do ano passado a Marinha promoveu uma transição da Comunicação Social para a Comunicação Estratégica, essa mudança é considerada vital para garantir o incentivo e a sobrevivência da instituição, que enfrenta dificuldades para convencer os jovens a trabalharem na área.
A adoção da Comunicação Estratégica foi inspirada na visão da OTAN, que se define como um emprego planejado, integrado e sincronizado da comunicação em prol dos objetivos estratégicos da Força Militar.
O conceito também é composto por várias vertentes que atuam de forma coordenada, essas áreas envolvem diplomacia pública, operações de informação e operações psicológicas.
“Comunicar sem resultado é energia desperdiçada”. A afirmação foi feita ainda pelo Vice-Almirante Belarmino, durante o Primeiro Simpósio de Comunicação Estratégica da Marinha, realizado na manhã desta quarta-feira (26), no auditório do UniCEUB. O evento discutiu os desafios da comunicação na era digital e as estratégias utilizadas pela MB para alcançar o público de forma mais eficiente.
Os desafios da comunicação na era digital
Durante a abertura, Belarmino destacou o fenômeno da “infotoxicação”, caracterizado pelo excesso de informações disponíveis na internet, e os impactos das mídias sociais sobre a comunicação.
O diretor também abordou as dificuldades enfrentadas pelo jornalismo tradicional diante das transformações provocadas pelo ambiente digital.
Comunicação precisa gerar resultado
Ao apresentar a estratégia de comunicação da Marinha, o Vice-Almirante ressaltou que informar não é suficiente: é necessário que a mensagem tenha utilidade e alcance o público de maneira efetiva.
“Precisamos ser uma ferramenta útil. Precisamos saber o que comunicar, senão, de nada serve”, afirmou.
Segundo Belarmino, a comunicação estratégica deve estar alinhada a objetivos claros e produzir resultados. A proposta é evitar que a produção de conteúdo se limite à divulgação de informações, sem impacto ou finalidade.
Estratégia para alcançar o público
O diretor destacou ainda a importância de compreender o público e utilizar as ferramentas disponíveis para tornar a comunicação mais eficiente.
Nesse cenário, a Marinha busca adaptar suas estratégias às mudanças provocadas pelas novas plataformas e pelos hábitos de consumo de informação.
Relações institucionais e governamentais
O secretário de Mídias Internacionais da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), Thomaz Pires, aprofundou sobre a atividade de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).
Ele abordou a respeito da marginalização do termo Lobby, que é muito associado à corrupção, mas segundo o palestrante, seu real significado é definido como a defesa legítima de interesses dentro do ramo democrático.
Ele afirma que o uso coordenado de redes sociais e o relacionamento com a imprensa são ferramentas essenciais para transmitir mensagens educativas e institucionais ao público.
O foco central do secretário foi a interseção entre a comunicação estratégica e a atividade de Relações Institucionais e Governamentais (RIG), demonstrando como essas áreas atuam conjuntamente para mapear cenários políticos e influenciar de maneira legítima o processo decisório.
No contexto da defesa de interesses legítimos (Lobby), A Marinha é citada como exemplo de uma instituição que, assim como o setor produtivo e empresarial, se organiza de forma legítima e lícita para apresentar seus pleitos e pautas técnicas aos tomadores de decisão dentro do processo democrático.
Ele ressaltou que a Marinha possui uma série de iniciativas e proposições em tramitação no Congresso Nacional que a afetam diretamente, de forma positiva ou não, então ele sugere que a MB utilize a experiência de profissionais de RIG para contribuir de forma técnica e transparente nesse processo de tomada de decisão
Por André Henrique, Lucas Soares e João Delattre
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira


