“Meu legado é a minha arte e a minha deficiência”, diz artista com Síndrome de Down 

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Lúcio Piantino, de 28 anos, é ator, dançarino, artista plástico, influenciador digital, Drag Queen e nasceu com a Síndrome de Down. “Meu legado é a minha arte e a minha deficiência”, diz Lúcio. O artista começou a trabalhar com arte com 13 anos e já foi convidado por diversas entidades internacionais para palestrar e representar o Brasil na luta pela conscientização sobre a condição.

Incentivadora da arte do filho, a mãe dele, Lurdinha Piantino explica que é necessário garantir visibilidade para as lutas das famílias. “As minorias precisam de um dia para serem lembradas”. Esta quinta-feira (21.3) é um dia de reflexão dedicado à conscientização da Síndrome de Down, condição causada pela trissomia do cromossomo 21. 

Lúcio Piantino. Foto: João Pedro Carvalho / Divulgação

Mãe de Lúcio, Lurdinha, de 65 anos, relata que descobriu que o filho era Down horas depois do parto e não aceitou o prognóstico. Lurdinha lembra que quando recebeu o diagnóstico se lembrou do estereótipo da pessoa com síndrome de down, a dificuldade na fala, a deficiência intelectual e a dificuldade motora.

“Eu aceitei o diagnóstico, mas não aceitei o prognóstico de deficiência”. 

Lurdinha se dedicou ao estudo da condição e sentiu a necessidade de transmitir o seu conhecimento a outros pais e familiares, então junto com a psicóloga e professora da UnB, Elizabeth Tunes, escreveu um livro sobre o desenvolvimento de pessoas com Síndrome de Down. O livro chamado “Cadê a Síndrome de Down que tava aqui? O gato comeu”, foi publicado em 2001 e concorreu ao prêmio Jabuti de literatura. 

Pesquisa

A escritora se especializou em saúde pré-natal e desenvolvimento de bebês de 0-3 anos e demonstrou através de pesquisas e do seu próprio filho que a deficiência não vem junto com a condição de síndrome de down. “Eu afirmo com toda certeza que a deficiência intelectual na Síndrome de Down é social, histórica e cultural. A pessoa com síndrome de down não precisa ser deficinte”

Além deste, Lurdinha publicou seu último livro ano passado chamado “Meu filho é um artista: lutas, vivências e conquistas na Síndrome de Down”, em que conta o processo de crescimento, desenvolvimento e aprendizado do filho.

Ela explora também sobre a descoberta da homosexualidade e do início da vida amorosa de Lúcio. “Eu sou abertamente gay. As pessoas assumem que só porque eu sou atípico eu não posso ter a minha sexualidade”, conta Lúcio. 

Lurdinha, Lúcio e malabaristas. Foto: João Pedro Carvalho.

Diversidade

A coordenadora geral da APAE-DF, Kelly Assunção, entende que o dia 21 é sobre a importância da igualdade entre pessoas com deficiência e pessoas típicas. Por isso que na APAE todos os alunos são tratados como adultos independente de suas dificuldades.

“Eu acredito na importância de pessoas com deficiência ocuparem os mesmos lugares na sociedade que pessoas típicas. Para que eles estejam na escola junto com o filho do empresário, filho da faxineira e meu filho, por exemplo” .

Sonhos

Clara Rosa, de 19 anos, sonha em ser influenciadora digital, cantora, dançarina e atendente do McDonalds. A frequentadora da APAE tem Síndrome de Down e participa das atividades que a organização propõe para entrar no mercado de trabalho. “Fico na produção de manhã e, de tarde ,eu fico na copa” diz Clara. “Gosto bastante, e já estou me preparando para trabalhar fora”. 

Clara Rosa. Foto: Maria Beatriz Giusti

Fios

Welma Regina, de 58 anos, também tem Síndrome de Down e aprendeu na oficina de tecelagem a crochetar cachecois que começou a vender na internet.

“O nome da minha loja é WRR e eu que publico sozinha lá no WhatsApp Já vendi seis cachecois”. Welma se formou no ensino médio pelo Colégio Estadual de Caldas Novas e namora com outra pessoa da APAE há quase um ano. 

Leia mais sobre a síndrome de Down

João Pedro Carvalho, Laura Cunha e Maria Beatriz Giusti 

Supervisão: Luiz Claudio Ferreira 

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