Professores devem destacar mulheres na arte para enfrentar histórico de machismo, dizem pesquisadoras

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A trajetória da artista plástica Tarsila do Amaral (1886 – 1973), que pode ser conferida com exposição inédita no Centro Cultural do TCU, em Brasília, traz à tona o espírito revolucionário dela na profissão e também as lutas contra o machismo e invisibilização da mulher.

Para as pesquisadoras Maria do Carmo Couto (professora de história da arte na UnB)  e Fran Fávero (artista visual), houve processo de apagamento da arte das mulheres. Segundo ela, hoje, professores devem destacar o papel da mulher na arte em todas as épocas.

A exposição tem o título de “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”.

As pesquisadoras defendem que a participação feminina no modernismo não foi periférica, mas protagonista e fundante.

Influências vieram de Anita Malfatti (introdutora do expressionismo no Brasil), de Tarsila do Amaral (da iconografia visual da identidade brasileira), de Regina Graz (pioneira das artes têxteis), de Zina Aita (precursora do modernismo em Minas Gerais) e de Djanira da Motta e Silva (retratou trabalhadores, religiosidade afro-brasileira e povos indígenas). 

Formas de apagamento

Segundo as palestrantes, as artistas foram ocultadas a partir de diferentes mecanismos como “rótulos redutores”. Tarsila, por exemplo, é chamada de “musa”, Anita de “vítima” de Monteiro Lobato, Djanira rotulada de “arte primitiva/ingênua”.

Outros caminhos foram a “ausência de registros” e de “narrativas hegemônicas”. Uma das fotos mais divulgadas da Semana de Arte Moderna 1922 não contém nenhuma mulher, apesar de sua presença no evento.

As pesquisadoras abordam que houve subrepresentação das mulheres artistas nas instituições. No Museu de Arte de São Paulo (MASP), em 2017, apenas 6% dos artistas em exposição eram mulheres, enquanto 60% dos nus representados eram femininos. 

Valorização da mulher

As pesquisadoras Fran Fávero e Maria do Carmo Couto apontam que educadores devem ir além do material didático tradicional e incluir referências femininas em sala de aula. Gestores de instituições como museus, centros culturais e galerias precisam fazer levantamentos críticos de seus acervos e propor ações de ampliação.

Para elas, artistas devem referenciar e honrar esse legado em suas práticas. Outro tema é que a curadoria deve, na avaliação delas, ser comprometida em construir memória de exposições de/com mulheres (catálogos, sites, registros) para que não sejam apenas eventos pontuais.

As pesquisadoras reconhecem que as dificuldades estruturais persistem nas universidades, museus e espaços curatoriais.

Elas mencionaram que o próprio processo de se reconhecer como mulher, negra ou pesquisadora dentro de ambientes predominantemente masculinos e brancos é contínuo, e que esse incômodo funciona como combustível para seguir atuando.

A exposição  “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral” convida o público a viajar por sua história e os processos de construção de sua identidade enquanto artista, estruturada em quatro núcleos: Estar no mundo, Olhar o mundo, Mergulho onírico e Olhar o outro, com obras como “Santa Irapitinga do Segredo”, de 1941, “Segunda Classe”, de 1933, e o conhecido “Os Operários”, pintado também em 1933. 

A exposição acontece até 10 de maio de 2026, de segunda a domingo, das 9h às 18h, no Centro Cultural TCU. 

Por Gabriela Cidade (texto e fotos)

Colaborou: Laís Cornils

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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