Basta uma falha e… “frangueeiiroooo”. O autor Nelson Rodrigues dizia que onde o goleiro joga nem grama cresce. Nos estádios no México e na América do Sul, torcedores passaram a fazer gritos homofóbicos. Pelo menos uma vez no ano, os goleiros são lembrados de uma forma diferente. 26 de Abril é o dia internacional do goleiro. A posição é conhecida, segundo eles mesmos, por demandar maiores responsabilidades que outras funções no campo. Segundo goleiros que atuam em times que disputam o campeonato candango, a profissão exige carga de treino extra diante de públicos, cuja média não ultrapassou 1 mil pessoas, e gramados precários.
O fato de ser o último homem da equipe impõe mais deveres que necessitam uma série de treinamentos específicos, seja para usar as mãos, seja para usar os pés. Este último atributo vem sendo cada vez mais exigida pela velocidade e o toque de bola de uma partida de futebol. Essa visão aberta do jogo, com uma capacidade maior para análise, normalmente, atribui a liderança para o arqueiro.
“Apesar de tudo, gratificante”
Para o goleiro do Paracatu, Pedro Alves, o dia é importante para reconhecer a dificuldade da profissão. “Para uma profissão em que você precisa se sacrificar quando é pequeno, deixar de ser criança para correr atrás de um sonho, é uma data muito importante”, disse. Para ele, mesmo sendo difícil, a posição é muito gratificante. “Quando você realiza esse sonho, você corre riscos, você falha, você acerta, a torcida critica, alguns apoiam e, esse dia é muito louvável por causa disso, o goleiro não é uma profissão comum”, falou.

Sidivan Perondi defende as cores do Luziânia. Para ele, a responsabilidade é única. “Nós não temos chance para erros. Por exemplo, se o zagueiro erra, tem o goleiro. Se o meio campo erra, tem o goleiro. Se o atacante erra, tem o goleiro. Agora, o goleiro trabalha em cima de extinguir os erros”, analisou. O futebol se diversificou e o jogar com os pés se tornou essencial. “A gente pode perceber que hoje os jogos estão com muito mais toque de bola, antigamente era mais truncado. A gente pode ver que a maioria dos times trabalha com a saída de bola, sair jogando”, contou.

Para Edmar Sucuri, arqueiro do Brasiliense, a mídia, por vezes, tira o mérito do goleiro em uma defesa de pênalti. “Eles querem tirar o mérito do batedor. E eles dizem que poderia ter batido com mais força, batido melhor, mas se o goleiro não tem o mérito de ir acertar o canto, é gol. Eu acho que o mérito no pênalti é do goleiro. Ao contrário do que a mídia diz”, expressou. Neuer, goleiro do Bayern de Munique (Alemanha), é sua inspiração quando se fala em jogar com os pés. “O goleiro que não tem um mínimo de base para jogar com os pés fica para trás. O futebol hoje ficou muito dinâmico. O Neuer, por exemplo, ás vezes joga de líbero, de zagueiro, praticamente, tudo para ajudar em prol da equipe, não para ele aparecer”, concluiu.

Holofotes
Para os três goleiros, a idolatria da posição fica complicada, que o trabalho deles é evitar aquilo que todos querem ver. “O ápice do futebol é o momento do gol. Porque que é mais difícil um goleiro se tornar ídolo? Porque ele trabalha sempre no limite de ser herói ou vilão. O goleiro que conseguir trabalhar, se dedicar e expor o seu trabalho da melhor maneira possível no jogo, mantendo uma regularidade, ele tem a probabilidade sim de se tornar um ídolo no seu clube”, articulou Perondi.
Para Sucuri, os limites entre o céu e o inferno definem o sucesso da posição. “O futebol, hoje em dia, é muita mídia e, quem aparece mais é quem faz gol, um drible bonito, quem improvisa bem. E o goleiro não tem como improvisar, fazer algo fora do normal, a não ser defender”, pontuou.
Pedro Alves, goleiro do Paracatu, lamenta que exista muito maior valorização dos jogadores de linha. “O futebol vive de resultados e, quem mais tem a capacidade de fazer esses resultados, são os jogadores que jogam do meio para frente. Então, se dependesse só dos goleiros, todo jogo ficaria 0x0 e o futebol não teria muita graça. Por isso que eles ganham mais dinheiro e são mais valorizados, justamente porque eles têm o poder de definir o jogo”.
Por Gabriel Lima


