Adolescentes e idosos: eleitores que votaram sem obrigatoriedade explicam por que foram às urnas

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“Eu me entendo como uma pessoa política, que tem capacidade de pensar e distinguir o que quer ou não quer para o país. E eu pensando assim, já consigo votar”, diz Daniele Corrêa, de 17 anos, moradora do Gama (DF), na primeira vez depois que se coloca em frente à urna.

Idosos, como Oliveira Rodrigues, e jovens, como Daniele Corrêa, vibram em participar da escolha dos representantes


Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pessoas alfabetizadas maiores de 18 anos e menores de 70 anos são obrigadas a votar, enquanto que o voto é facultativo para: pessoas analfabetas; jovens de 16 e 17 anos; idosos maiores de 70 anos. Como é o caso de Oliveira Rodrigues, aposentado de 76 anos, residente em Sítio d’Abadia (GO). Ele diz que votar é crescer e isso ajuda nas decisões do país. “É importante votar para poder decidir qual candidato eu quero no governo do nosso país. Para eleger quem eu apoio”, relata.


“Eu acredito que os jovens tenham esse interesse muito grande em participar desse momento eleitoral”, disse a cientista política Amanda Fortaleza,. Conforme o TSE, o total de eleitores registrados com voto facultativo em 2022 é 20,9 milhões, o que representa 13,4% do eleitorado total. Esse é o maior percentual registrado desde as eleições de 2002, quando foi de 13,5%.


O estudante Lucas de Morais Petter, de 17 anos, morador do Gama, entende que votar é uma oportunidade de entender como funciona o sistema democrático no Brasil. “Além de me inteirar do mundo político, isso mostra que eu tenho deveres”, afirma Lucas. Da mesma forma, Guilherme Baliza, de 16 anos, também acredita que isso é exercer seu dever de cidadão e é importante para ajudar na decisão de governo do país.


“Se virmos as pesquisas que saíram aqui no DF, por exemplo, uma semana antes das eleições, dizem que 60% das pessoas ainda não tinham escolhido em quem votar para deputado federal e distrital. Então percebe-se que é um interesse selecionado nas eleições para presidente da república devido a essa polarização”, diz Amanda Fortaleza. A cientista ainda afirma que esse interesse é maior apenas pela polarização do executivo, com o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro.

Por outro lado, o taxista Benedito Borges, de 71 anos, diz que votou a pedido de sua filha, que tinha uma sugestão de candidato. “Eu fui porque ela pediu, mas acabei votando bem consciente da realidade que estamos vivendo”, disse o morador do Gama.


Influências na política


Segundo a cientista política, muitos candidatos conquistaram votos do público jovem a partir das redes sociais, principalmente do tiktok. Ela diz que quando os candidatos participam de trends, têm a intenção de alcançar esse público. Tanto é assim, que o TSE mostra que o Brasil ganhou mais de 2 milhões de novos jovens eleitores desde as últimas eleições.


“Os candidatos têm grupos muito fortes e muito militantes, seja de esquerda ou de direita, fazendo com que artistas, jogadores e outras personalidades se manifestem também politicamente nas redes sociais”. Anitta, assim como outros artistas brasileiros, como Neymar, Giovanna Ewbank, Bruno Gagliasso, Bruna Marquezine, Juliette Freire se posicionaram dias antes das votações do primeiro turno sobre em quais candidatos iriam votar.


A rede social é outro fator que faz as pessoas se interessarem mais em votar. “Vejo que esses fatores, mobilização social, alta polarização e utilização das redes sociais, fazem com que as pessoas estejam mais interessadas em participar desse debate político”, comenta Amanda.


“Eu decidi votar porque quero um futuro melhor para o Brasil”, diz Jamylle Ribeiro, de 16 anos. A moradora de Águas Lindas de Goiás (GO) entende que a primeira eleição que ela participa como eleitora é bastante especial.


“Esse eleitorado, acima de 70 anos, é diferentemente dos jovens que estão empolgados, que são incentivados e movidos a participar desse processo eleitoral, não têm esse interesse. Inclusive pelo fato das eleições serem muito polarizadas, eu vejo que pode ser uma tendência do eleitor, que possa fazer o voto facultativo, de não ter tanto interesse para votar justamente por causa dessa tensão no clima eleitoral deste ano”, opina a cientista política Amanda Fortaleza.

Por Ana Clara Neves, Danyelle Silva e Milena Dias

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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