O ministro Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, criticou a vigilância de grupos da sociedade em relação a temas de direitos humanos. Para ele, há o que chama de “auge do politicamente correto”. “Se nós viermos a discutir qualquer questão que hoje são contidas pelo politicamente correto, rapidamente vai aparecer um dedo apontado nos chamando de sexista, racista, homofóbico. E assim, bloqueia qualquer discussão”, acredita.
Um dos problemas de relacionamento do governo tem sido com os estudantes do ensino médio e universitários, que realizam ocupações em escolas e faculdades públicas em todo o país (em protesto contra a PEC do Teto de Gastos e a MP da reforma do Ensino Médio). Para Sérgio Etchegoyen, o ato de manifestação contra o presidente Temer ou contra as propostas do governo possuem respaldo democrático. “O que não pode acontecer é que eu prejudique os direitos dos outros para tentar impor aquilo que eu acho que deva acontecer. O jogo democrático se faz pelo convencimento, pelo combate de ideias”, afirma.
Após acusações, o ministro também descartou qualquer possibilidade de que existam integrantes de organizações criminosas infiltradas nas ocupações em todo o país. “Não ciminalizaria esses grupos (“Fora Temer”) relacionando-os com organizações criminosas. Eu acho apenas que eles estão fora do campo do jogo político”.
Espionagem
Para o ministro Sérgio Etchegoyen, o Brasil passou a ser reconhecido internacionalmente pelas medidas adotadas contra a espionagem de outros países. Em 2013, o ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América (NSA – sigla em inglês), Edward Snowden, divulgou documentos de que a ex-presidente Dilma Rousseff e a Petrobras estavam entre os espionados. “Nós estamos caminhando para prevenir essas questões para que não passemos outra vez por uma situação dessas”, explica.
Por ser a autoridade responsável pela segurança cibernética do Executivo, o Gabinete de Segurança Institucional, precisa evitar medidas que ponham em risco a soberania nacional. Porém existe a acusação de que o governo Temer tem trocado os servidores livres, por sistemas da Microsoft, o que, para os críticos da medida, seria prejudicial à segurança. O ministro ressalta que mesmo sem saber as “razões” e os “termos” negociados, a decisão passará pela avaliação do órgão. “Imaginar que a troca por um sistema comercial, como o da Microsoft, vai nos trazer insegurança, eu acho que depende de como nós requisitarmos e as condicionantes que pusermos nisso”, defende.
Segundo o ministro, a empresa presta serviço ao departamento de defesa dos EUA, que possui um “cuidado” na segurança. Além disso, Etchegoyen conta que ao fazer parte da última reunião dos BRICS em Nova Deli, o Brasil foi reconhecido pelos demais membros, pelo trabalho realizado na área.
Confira entrevista com o ministro Sérgio Etchegoyen:
Por Lucas Valença
Foto: José Cruz


