Após voltar a artilharia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PSOL passou a atacar também os partidos de oposição ao governo por “covardia”, segundo o deputado Chico Alencar. “Procuramos todos eles, mas eles só escrevem notas pedindo o afastamento do Eduardo Cunha. Quando é olho no olho, eles trocam de assunto”, disse. O partido encabeçou, nesta semana, o pedido de cassação, no Conselho de Ética, do mandato do parlamentar por conta das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Somando 46 assinaturas até o momento, a bancada do PT foi a mais presente, com 33 assinaturas. Nenhum parlamentar da oposição assinou o documento.
Assista à entrevista do deputado Chico Alencar
Para o deputado federal Chico Alencar (PSOL), a investigação do Ministério Público (MP) traz indícios “robustos” do envolvimento do deputado Eduardo Cunha em escândalos de corrupção, contrário à constituição e o código de ética e decoro parlamentar. “Investigações em andamento, denunciam a sonegação fiscal e a evasão de divisas cometidas pelo parlamentar”.
Ex-ministro da presidente Dilma Rousseff, o deputado Pepe Vargas (PT) explicou as denúncias da Procuradoria Geral da República (PGR). “A procuradoria deixa claro que o deputado tem contas ilegais no exterior, onde omitiu ao ser inquerido sobre o fato em uma CPI”. O deputado Ivan Valente (PSOL) acrescenta que a delação premiada tem instrumentos o suficiente para a acusação. “Seis delatores premiados, comprovam o recebimento indevido, ou seja, aproveitamento do dinheiro público no escândalo da Petrobrás”.
O parlamentar Ivan Valente acredita ser insustentável a permanência de Eduardo Cunha como presidente da Câmara. “Ele não deveria dirigir as sessões da Câmara dos Deputados. Ele não tem mais as condições políticas e morais de presidir a casa”. Pepe Vargas mantém uma opinião similar. “Não é só uma questão do Eduardo Cunha não reunir condições de permanecer presidindo a casa. Além disso, ele precisa responder por seus atos junto à comissão de ética. O ideal seria que o presidente renunciasse e se dedicasse a fazer sua defesa”.
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL) lamenta a ausência dos parlamentares da oposição no documento de cassação do mandato do presidente. “É grave ver a oposição que tanto fala em ética e combate à corrupção e que sobe à tribuna para fazer denúncias da corrupção que envolve parlamentares do PT ou membros do governo, esteja ausente quando há fatos concretos de corrupção e lavagem de dinheiro do presidente da casa. Além de lamentável é muito suspeito”.
Chico Alencar acredita ser necessário a saída do presidente de forma rápida. “A câmara não pode mais aceitar uma figura tão nefasta na sua presidência. Isso é um atentado à democracia representativa”.
Defesa
Para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o processo enviado ao conselho de ética é um “jogo político” criado por seus adversários. “Quando houve a instauração do inquérito, o PSOL pediu meu afastamento. Quando houve o depoimento do delator, o PSOL novamente pediu meu afastamento. Eles são meus adversários políticos”.
Segundo o deputado Alberto Fraga (DEM), o afastamento do presidente não seria ideal, pois o crime não ocorreu durante sua permanência na mesa diretora. “Quem cometeu o crime foi o deputado Eduardo Cunha, não foi o presidente da Câmara. Ele é presidente agora, mas há época que ele cometeu o crime ele ainda não era presidente da casa”.
Após a oposição retirar formalmente o apoio ao Eduardo Cunha, vários parlamentares pararam de se posicionar contrário ao presidente.
Por Lucas Valença
Foto: Agência Senado


